Entrevista: Coronatus

E ao quinto álbum os germânicos superaram-se: pela primeira vez trabalharam com três vocalistas o que desde logo lhes abriu imensas alternativas em termos vocais. Musicalmente a banda está de regresso às suas origens e Recreatio Carminis não desilude os fãs da banda. Fomos conferir todas as novidades com o baterista Mats Kurth.

Olá Mats! Mais uma vez obrigado pela vossa disponibilidade com Via Nocturna e espero que esteja tudo bem convosco desde a última vez. Novo álbum no mercado - Quais são os vossos sentimentos?
É claro que estamos muito orgulhosos com o resultado. Foi um trabalho muito duro, como aconteceu com todos os álbuns até agora. Mas desta vez tivemos alguns desafios especiais para gerir, como seja, a adaptação das composições para três cantoras diferentes!

Exatamente, desta vez nada menos que três vocalistas. Como foi essa adaptação? E o processo de trabalho foi similar?
Não, claro que foi um pouco diferente. Com uma cantora, é muito fácil. A linha vocal não tem que ser distribuída. No entanto, estávamos habituados a dividir as linhas vocais entre uma soprano clássica e uma voz rock, como fizemos em todos os álbuns anteriores. De fato, ao compor, isso sempre foi tido em conta desde o início. Mas agora tivemos que dividir a parte vocal em 3 pedaços. Isso foi muito mais difícil. Mas por outro lado, também se abrem uma série de possibilidades adicionais.

E como foi feita essa divisão?
Em princípio, ainda temos as duas partes rock e soprano clássica, que é novamente cantada por Carmen. Mas, desta vez, dividimos a parte da voz de rock entre as nossas duas senhoras Mareike e Ada. Mareike tem, mais ou menos, uma voz normal de rock, enquanto Ada se adapta às funções de transição entre essas duas partes diferentes.

A Ada está agora nos Voices Of Destiny. Deixou os Coronatus ou não?
Sim, Ada e os elementos dos Voices Of Destiny são bons e velhos amigos. Todos eles vivem nas proximidades de Stuttgart, como nós. Oficialmente Ada deixou os Coronatus, isso é verdade. No entanto, ela vai estar no palco connosco no verão. E como já deves ter reparado, os Coronatus são uma banda muito aberta. Muitos músicos participaram, saíram, voltaram a participar de novo, e assim por diante... Assim, vamos ver o que o futuro nos oferece. No entanto, nos próximos shows ao vivo, iremos tentar apresentar o material de Recreatio Carminis com três senhoras da frente, é claro.

Mais um título em Latim, Recreatio Carminis. Qual é o seu significado? O que tentam transmitir aos ouvintes?
Significa "o retorno/recreação da música" e a razão para isso é a abordagem mais técnica das composições quando comparado com o último álbum Terra Incognita. Foi um desenvolvimento na direção errada, na minha opinião. Mas não me entendas mal: eu gosto muito deste álbum. É extremamente interessante. No entanto, gosto mais dos outros álbuns. E assim voltamos um pouco às nossas raízes, pelo menos, a respeito da forma de escrever. É claro que o título também reflete o regresso de Carmen à banda.

Então concordas com o que tem sido afirmado que este disco marca um regresso às origens?
Sim, o foco desta vez foi a utilização de uma grande quantidade de ganchos, melodias, coros e arranjos orquestrais. Isso já tinha sido feito no último álbum se bem que de uma forma completamente diferente! Tínhamos muitas partes diferentes e, pelo menos em parte, estruturas musicais bastante complicadas. Desta vez, a qualidade das composições foi atingida não pelos arranjos mas pelas estruturas. Quero dizer: as estruturas das canções mantiveram-se de fácil perceção, mas os arranjos instrumentais são muito intensos e densos. Assim, ganhamos mais "canções" e menos "pedaços". Como tinha sido no início dos Coronatus, apesar de ainda com uma série de diferenças em comparação com os primeiros dias.

Os arranjos orquestrais estiveram a cargo de Ralf Binder. É a primeira vez que ele trabalha convosco não é?
É isso mesmo! Conheci Pinu'u apenas há alguns anos atrás. Ele disse-me que gostaria de compor sinfonias completas no seu estúdio caseiro. Foi por isso que decidimos experimentar as suas habilidades com as composições de George e minhas. E funcionou muito bem!


E os violinos são novamente tocados pelos dedos de Ally Storch?
Quase todas as partes mais folk, sim. E algumas das linhas clássicas de Pinu'u também. Como sempre, ela fez um ótimo trabalho num inacreditável curto espaço de tempo! Markus Banco, o produtor, disse-me, que ela é uma das melhores músicas com quem já trabalhou.

Já têm alguma tournée planeada ou ainda estão a trabalhar nisso?
Iremos fazer alguns festivais e alguns espetáculos individuais. Se conseguirmos uma oferta adequada, também queremos sair em tournée. No entanto, somos todos trabalhadores com empregos normais, a Carmen tem três filhos pequenos, eu também tenho filhos. Assim, para nós é complicado fazer uma tournée. Só seria possível fazer uma pequena tournée, a chamada "tour de fim de semana".

E projetos para este ano que recentemente começou…
É claro que o novo vídeo Towards Horizon estará concluído num futuro próximo. Há sempre muito trabalho, se quiseres manter as coisas ativas... Já estamos a escrever novas músicas, teremos um novo guitarrista, talvez um outro vídeo e assim por diante...

Mais uma vez obrigado e para terminar dava-te a oportunidade de acrescentar mais alguma coisa que não tenha sido abordada nesta entrevista...
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