Entrevista: Elysion

Acreditamos que deva existir um lugar melhor. Os gregos devem pensar o mesmo e mesmo sem conotações politicas os Elysion apresentam em Someplace Better um manifesto de otimismo e de confiança no futuro, pelo menos a atender pelas respostas da simpática Christianna, vocalista do quinteto helénico.

Olá Christianna, obrigado pela tua disponibilidade. Podes apresentar os Elysion para os metaleiros portugueses?
Um grande olá também para ti em nome de toda a banda! Bem, Elysion é uma banda de metal atmosférico que combina elementos de uma arquitetura gótica, eletro, rock/alternativa com um som enérgico e fresco, como gostamos de o considerar. Sintam-se à vontade para dar uma audição!

Passaram quase 4 anos desde a vossa estreia. O que se passou para este longo hiato?
Foi uma longa pausa na verdade... não queríamos que tivesse passado tanto tempo, mas acabamos por perceber que não ganharíamos nada em apressar as coisas. Silent Scr3am foi, felizmente, muito bem aceite e por isso, talvez outra banda teria pensado em aproveitar o momento e lançar um segundo álbum o mais rápido possível. Mas nós queríamos ter a certeza de que o segundo álbum não iria ser uma cópia do primeiro só porque resultou bem da primeira vez. Não quisemos mudar completamente a nossa identidade tratou-se apenas de dar um passo, que acho que aconteceu em Someplace Better, porque fomos mais exigentes connosco.

Quais são as principais diferenças deste novo álbum em comparação com Silent Scr3am?
Bem, penso que conseguimos manter a nossa identidade, porque Silent Scr3am ainda é totalmente representativo de quem somos, mas penso que levamos as coisas um pouco mais além. Someplace Better é, no geral, mais intenso como álbum, mais enérgico e up-to-date na sua abordagem, tanto na composição como na produção. Para além disso, sentimos que tem uma atmosfera definitivamente característica do som Elysion, que vem naturalmente, porque é o que somos.

De onde veio a inspiração para este novo álbum?
Para nós, grande parte da inspiração é o conceito da natureza humana, também bastante presente no álbum anterior. As tonalidades mais escuras e brilhantes da nossa existência. Para este álbum queríamos que uma sensação geral de esperança e positividade fosse evidente na sonoridade e nas canções e penso que é essa a sensação que fica depois de ouvires todo o álbum. Também acho que uma grande parte da inspiração vem da maneira como as músicas vão sair quando tocadas ao vivo, certificando-se de que há suficiente energia, de modo a haver muita paixão a fluir nas performances. Esperemos que as músicas ganhem vida quando as tocarmos.

Este álbum teve também uma edição japonesa pela Leaders Records. Têm grandes expetativas para o mercado japonês? Mais do que para o mercado europeu?
Estamos muito animados com o lançamento japonês de Someplace Better, até porque recebemos um feedback maravilhoso com Silent Scr3am que também teve uma edição japonesa. Deixa-me acrescentar que é interessante verificar que esta edição japonesa especial tem uma capa especial criada pelo nosso querido artista de Silent Scr3am Natalie Shau, enquanto a edição original é trabalhada por Gustavo Sazes. Quanto a expetativas, bem, nós nunca ''calculamos'' a dinâmica do mercado para saber onde podemos esperar mais. A nossa música está aí para quem estiver interessado e cada ouvinte é especial para nós, porque nos dirigimos a ele individualmente e nunca consideramos as pessoas como números. Adoraríamos ir tocar ao Japão e espero que este álbum seja um olhar em frente desde Silent Scr3am!

Este é um álbum com grandes nomes por trás: produção de Mark Adrian, mistura de Dan Certa, masterização David Collins. Como surgiram todos estes nomes no vosso caminho e que contributo deram a Someplace Better?
À medida que o tempo passa para Elysion, a nossa identidade torna-se cada vez mais clara para nós e por isso é importante que consigamos trabalhar com pessoas que realmente sabem como trazer o nosso caráter ao som. Mark Adrian já trabalha connosco há muitos anos e conhece a identidade Elysion como a palma da sua mão. Sentimo-nos honrados por Dan Certa e Dave Collins tenham tratado tão bem do nosso som, trazendo uma abordagem mais moderna e americana ao nosso som. Escusado será dizer que, quando pessoas que trabalharam com Black Sabbath, Motley Crue, Seether, We Are The Fallen e tantos outros, colaboram contigo de uma forma tão respeitosa e profissional, não podes deixar de te sentir imensamente honrado e privilegiado.

A última mudança no vosso line-up foi há 4 anos. Têm tido, portanto, uma formação estável. Isso reflete-se no processo de composição...
Na verdade, há muitos anos que não há mudanças na formação dos Elysion. Temos uma equipa estável há já bastante tempo e esta é, definitivamente, uma vantagem para nós. Penso que te referes à entrada do nosso querido Ilias P.Laitsman para a bateria, mas isso aconteceu, realmente, há quatro anos atrás. Para além dessa, não houve mudanças na nossa família pelo que, para já, todos nós estamos misturados no caráter dos outros e inspiramo-nos mutuamente.

Como foi a experiência de tocar no Russian Female Metal Dream Fest em Moscovo e São Petersburgo, em setembro de 2013?
Não há palavras para descrever… Os gregos são considerados o público mais quente, mas os russos superaram-nos. Toda a viagem foi um dos momentos mais queridos que já tivemos (e certamente teremos) juntos como banda. Fecho os olhos e consigo voltar a viver os momentos que tivemos lá, a ligação a todas as pessoas incríveis, e essas memórias mantém o meu sorriso.

Vocês são gregos, portanto, um título como Someplace Better está, de certa forma, ligado às dificuldades e crise social no teu país? (Já agora, deixa-me dizer-te, que Portugal não é um lugar melhor – risos!)
Sim, na verdade, e como já disse, insistimos fortemente para que o álbum tivesse um raio positivo e até mesmo a certeza de que o título funciona para esse fim. Os Elysion têm bastantes “barreiras de esperança” mas todo o humor negro existente na nossa pátria e todo o seu passado de crise também foram uma inspiração. Quisemos marchar contra todo esse sentimento de pessimismo e focar o aspeto de um futuro mais brilhante. Pode não ter uma referência política nas nossas letras, mas queríamos usar essa positividade como uma declaração geral, também refletindo a nossa tese a respeito de todos os menos afortunados socialmente. Sei que vocês sabem o que eu quero dizer e é importante que possamos relacionar isso.

Já têm algum vídeo retirado deste álbum?
Temos planos em mente para um vídeo, mas nada está filmado ainda. Nos próximos meses iremos decidir sobre qual música a escolher e provavelmente teremos uma boa notícia para partilhar. Posso adiantar que já temos em mente a direção que deverá tomar bem como alguns realizadores. Vai ser ótimo ver as coisas saírem da maneira como nós as temos nas nossas cabeças!

E alguma tournée planeada?
Agora é a altura de ter tudo organizado. Ainda não tenho datas exatas para anunciar, mas acho que vamos começar por tocar no maior número possível de sítios na Grécia antes de sair para o estrangeiro, porque sentimos nos nossos corações que devemos honrar e apoiar a cena local, tendo em conta todas as dificuldades que estamos a atravessar, como já referimos. Estamos muito ansiosos para ir para a estrada! Se há uma coisa que eu desejo fortemente para Someplace Better é que este álbum nos possa levar numa viagem longa e venturosa e deixar-me surpreender com novas pessoas que encontramos e nos ajudam a reunir todos os tipos de nova inspiração.

Bem, foi um prazer conversar contigo. Queres acrescentar mais alguma coisa para os nossos leitores ou para os teus fãs?
Não te podemos agradecer o suficiente por esta entrevista! Foi um prazer total e enviamos o nosso amor a todos os nossos amigos portugueses, na esperança de em breve termos a emoção de vos ver de perto. Mantenham o espirito do metal e vemo-nos em breve.

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