sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Entrevista: Kick

Os irmãos Mikey e Chris Jones têm tocado juntos em diversas encarnações desde os anos 80. Como Kick já não havia nenhum disco desde 2004, sendo que Mikey Jones lançou, a solo, The Light Of Day em 2006. Memoirs também esteve para ser lançado como trabalho individual de Mikey, mas acabou por prevalecer o nome Kick. O próprio Mikey Jones falou desta e de outras histórias em torno de Memoirs e dos Kick.

Olá Mikey! Obrigado pela tua disponibilidade. Quais são os teus/vossos sentimentos agora que estão de regresso aos originais com um novo disco?
Olá, estou feliz que as músicas tenham sido publicadas, mas houve muita discussão sobre a possibilidade de lançá-lo como um álbum a solo de Mikey Jones ou como um álbum de Kick. A decisão foi instigada por Chris. Nick estava ocupado com os Vega, por isso aproveitei a oportunidade e escolhemos o nome de Kick. Comecei a escrever e a gravar depois do meu primeiro álbum solo, The Light Of Day. Reparei que atribuíste uma classificação alta ao álbum e agradeço-te. Memoirs teve classificações mistas e sinto que aqueles que não concordaram com a direção que tomamos musicalmente, ou por ter decidido cantar nesse álbum, que o tenham classificado mais baixo. Não fiquei surpreendido com essa reação. O padrão de escrita e execução continua o mesmo, por isso estou satisfeito com isso!

Mas como Kick já estavam em silêncio desde 2004 com o álbum New Horizon. Porque tanto tempo sem qualquer registo dos Kick?
The Light Of Day foi lançado há mais de 7 anos atrás e tenho estado muito ocupado com as minhas duas filhas pequenas. Irei tentar ter outro álbum dentro dos próximos 2 anos! E também Nick Workman teve sucesso com os Vega - eles são uma boa banda e fantástica ao vivo, portanto ele vai para a frente com eles.

É verdade, The Light Of Day foi o teu primeiro álbum a solo. Como foi essa experiência?
The Light Of Day foi uma experiência muito diferente. Tentei muitas coisas novas no álbum, tive um grande contrato, tive alguns bons comentários talvez devido ao facto de ser um álbum a solo e não um álbum de Kick. Os críticos entenderam o que eu estava a tentar fazer!

De regresso a Memoirs, foram só vocês dois que trabalharam neste disco ou tiveram algumas participações especiais no processo de composição?
Eu escrevi as músicas - não, não existem quaisquer participações especiais! Eu adoraria trabalhar com Chris Daughtry, se a oportunidade surgisse - grande voz!

E músicos? Também são só vocês que tocam em Memoirs?
Chris e eu tocamos e produzimos o álbum - em geral, eu gravei as guitarras ritmo e baixo e Chris fez o resto.

Em comparação com os vossos trabalhos anteriores, como avalias Memoirs?
Espero que cada álbum seja um pouco diferente do anterior, mas irei sempre querer apresentar boas canções, catchy! É a coisa mais importante para mim!

Por que razão um título como Memoirs? Trata-se das vossas memórias no cenário rock ou outras?
Thrill-seeking Junkie originalmente chamava-se Memoirs e é uma das minhas músicas favoritas, portanto foi uma escolha natural para título do álbum. Já escrevo músicas há 25 anos e acho que já pus todas as minhas experiências de vida em álbum. Também gosto de Urban Refugee e Round and Round. Sinto-me orgulhoso da forma como soaram!

Existe uma versão deste álbum com duas faixas bónus. Que músicas foram escolhidas?
Chris gostou muito do tema The End Of Time do álbum The Light Of Day. Fiz a remistura – bem como do álbum inteiro - para o iTunes. Essa música tem uma grande dinâmica e Chris disse que parecia muito dark quase ao estilo de um filme de vampiros. Gostei dessa ideia! Fallen Angel foi gravado há muito, muito tempo atrás, mas tem resistido ao teste do tempo - quando a ouvi pela primeira vez após mais ou menos 15 anos, pensei, sim, colocamo-la no álbum como um bónus - bang!

Ao longo da tua carreira também trabalhaste com outros projetos. Que experiências consideras mais relevantes?
Olhando para trás, o nosso álbum Freefall ganhou muita atenção em 1997 - era diferente do que outras bandas faziam na altura. Eu cantei nesse disco mas depois encontramos Nick Workman e nasceram os Kick. Tenho gostado de escrever canções vai para um quarto de século e tenho sorte de ser capaz de tocar guitarra, baixo e teclados também, por isso irei continuar a dar à luz novas músicas! XL era mais Def Leppard que os próprios Def Leppard - foi gravado na mesma altura que o Adrenalise foi lançado. Adorei essa altura e eu teria sido uma substituição adequada para Steve Clarke (RIP) quando ele faleceu. Infelizmente, os Leppard escolheram aquele sujeito irlandês!

Já tens alguma tournée planeada?
Não há planos para uma tournée, mas quem sabe, talvez carreguemos novamente a nossa carrinha e ‘bora lá tocar ao vivo! Chris, o que vais fazer na próxima semana......??!

Mais uma vez obrigado por este espaço! Queres acrescentar mais alguma coisa?
Apenas aquilo que digo sempre: OBRIGADO a todos os que mantém o rock vivo independentemente de quem são e do que fazem. Eu também sou um grande fã de rock é claro e escrever músicas é a minha contribuição. Saudações!

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Melhores 2013 - Nacionais


Playlist 30 de janeiro de 2014


Review: Riding A Black Swan (Casablanca)

Riding A Black Swan (Casablanca)
(2014, Gain Entertainment/Sony Music)
(5.4/6)

Casablanca! Estranho nome para uma banda de hard rock. Mas preparem-se porque detrás deste nome está um coletivo capaz de encher as medidas aos mais exigentes fãs do género. Se Apocalytic Youth já tinha deixado boas indicações, Riding A Black Swan, a nova proposta dos suecos, promete muito mais. Isto é simplesmente… hard rock! Verdadeiro, genuíno, intenso, na linha dos grandes nomes do passado e mais atuais, sejam Deep Purple, DAD, Mötley Crüe, Kiss ou Bigelf! Grande atitude, grandes hinos, grandes canções. Guitarras soltas e sacarem solos em cada espacinho, vocais rasgados, secção rítmica frenética. Percebe-se agora a razão da Classic Rock Magazine os ter considerado a melhor banda nova de 2012. E que agora acabam por confirmar. Hail The Liberation (primeiro single e um massivo sucesso nas rádios suecas), Barriers, Heartbreak City ou Just For The Nite são temas que se destacam dentro de um álbum todo ele feito da mais pura casta rockeira. E apenas destinado aos rockeiros de verdade…

Tracklist:
01_The Giant Dreamless Sleep
02_Hail The Liberation
03_Dead End Street Revisited
04_It's Alright
05_Barriers
06_Riding A Black Swan
07_Some Misty Morning
08_Heartbreak City
09_No Devil In Me
10_Just For The Nite

Line-up:
Anders Ljung – vocais
Josephine Forsman – bateria
Ryan Roxie – guitarras
Erik Stenemo – guitarras
Mats Rubarth – baixo

Internet:

Edição: Gain Entertainment/Sony Music

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Entrevista: A Cepa Torta

Depois dos Join The Vulture, outro grande trabalho a surgir do distrito da Guarda. Os A Cepa Torta são oriundos da Meda e assinam um dos melhores trabalhos nacionais de 2013, Amor e Outras Maleitas. Carlos Fial, guitarrista e vocalista do trio, falou a Via Nocturna deste projeto e de todas as maleitas que afetam a sua existência. Desde a derrota do Benfica a um estado gripal… passando naturalmente pelo amor!

Antes de mais obrigado pela vossa disponibilidade. Quem são e o que são os A Cepa Torta?
Quem somos: André Branco na locomotiva, Bernardo Esteves no baixo, e eu, Carlos Fial, na guitarra e voz. O que somos? Mais que uma banda, um estado de espirito! (risos)

O mais curioso a saltar à vista é o vosso nome. Certamente tem algum significado?
Tem vários significados. O nome "A Cepa Torta” foi escolhido com o propósito de frisar a "má rês", o fruto podre, o estado caduco, a má origem. A Cepa Torta é o estado laxista em que cais, principalmente se fizeres parte duma geração destinada ao sucesso, mas condenado a coisa nenhuma, inspiração tirada do poema Quasi de Mario Sá Carneiro, de onde fomos tirar o refrão do tema Um Pouco Mais.

Como surgiu a ideia, o que vos motivou a erguerem este projeto?
A ideia surgiu em setembro de 2010, duma conversa de café entre mim e o Bernado, entre copos e filosofias baratas de balcão de café. A intenção baseava-se na vontade de tocar música apenas pelo prazer da coisa. André Branco era amigo comum e tocava bateria, ficando assim formada a banda. Queríamos tocar pura e simplesmente. Começamos pelos covers. Principalmente com o propósito de ganhar calo de estrada e também algum dinheiro para equipamento, óbvio. Mas a intenção sempre foi o trabalho original. E finalmente conseguimos.

Já tinham tido outras experiências antes?
Todos estivemos envolvidos em vários projetos. Uns mais que outros.   

E que influências transportam para A Cepa Torta?
Quando andas nestas vidas de querer deixar de ser criatura, e te armares em criador, vais sempre beber a algum lado. Mesmo que de uma forma instintiva. Além do mais, todos os elementos d’A Cepa ouvem coisas muito diferentes. Desde Tool a Zeppelin. Do blues rural dos anos 20, a Dream Theatre. Enfim. Uma mixórdia. O bonito quando constróis uma música é essa liberdade de poderes seguir o caminho que quiseres, por muito dissonante que seja. Misturares sons e ritmos como te der na gana. E depois aplicas-lhe aquele toque final. Que é o teu estado de espirito naquele preciso momento. A diferença entre os gostos musicais entre cada um de nós, acaba por se refletir nas músicas da banda.

E que maleitas são essas a que vocês se referem, para além do amor é claro?
Inúmeras. Um estado de revolta. Essa besta que é a saudade de qualquer coisa. A fúria do Benfica perder. Um programa da manhã duma TV generalista. A música Febre por exemplo teve na sua génese um estado gripal. Uma maleita daquelas!

E porque é que o amor é uma maleita?
Haverá maior maleita que o amor? Essa reação química, fecunda de antagonismos e fraca em certezas, que transportas numa espécie de masoquismo devoto, quase religioso. É uma praga viral!

A língua portuguesa acaba por ser, na minha opinião, uma das vossas armas. Penso que muito do vosso brilhantismo passa pelos jogos poéticos que, seguramente se perderiam se fossem cantados em inglês. Concordam?
A nossa língua é de facto uma língua de poetas. Achamos que a única forma de passar a mensagem que pretendíamos era escrevendo em português.

Mas alguma vez ponderaram cantar em inglês?
Não. No que toca aos originais, nunca ponderamos essa hipótese. E sinceramente, creio que as letras perderiam o impacto.

Como chegaram a uma casa como a Cogwheel Records?
Google ou algo parecido. Enviamos um mail. Gostamos da resposta. Carregamos a Transit, e pusemo-nos a andar!

Como decorreu o processo de gravação?
Excelente! O Duarte Feliciano foi impecável. E paciente! Muito mesmo. Além do mais, a Cogwheel privilegia sempre a intenção dos autores. Ajuda-te. Sugere. Mas nunca põe em causa a liberdade criativa. Gostamos e provavelmente, dentro em breve, iremos repetir.

Com um disco destes na mão, até onde podem chegar os ACT?
Queremos chegar aos ouvidos do maior número de pessoas. Queremos tocar. Mostrar o nosso trabalho. Se bem que, é difícil fazeres-te ouvir desde cá de cima do alto da Serra.

De repente fiquei curioso: de uma assentada dois grandes grupos com dois grandes trabalhos (Join The Vulture e A Cepa Torta), ambos oriundos do distrito da Guarda. Passa-se alguma coisa por aí?
Passa e muito. Desde que começamos a banda, descobrimos que, no que à música diz respeito existe uma panóplia de projetos dos mais diferentes estilos nos mais recônditos cantos do distrito. Há muita malta a fazer muita coisa interessante por estas bandas.

Há alguns projetos em mente para o novo ano que agora começou?
Continuar a tocar. Esse é o principal. Além disso, arranjar um tempinho para compor mais umas músicas e quiçá, repetir a experiência de gravar.

Obrigado. Queres acrescentar mais alguma coisa que não tenha sido abordado nesta entrevista?
Deixar os agradecimentos da praxe. Em primeiro ao vosso Blog e à review que fizeram do álbum. Foi uma agradável surpresa. Agradecer ao Duarte e à Cogwheel por todo o apoio que nos tem dado e pela ajuda. E obrigado a todos os que nos ouvem. No fim de contas, eles são o propósito de tudo isto.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Review: Revenant (Tad Morose)

Revenant (Tad Morose)
(2013, Despotz Records)
(4.0/6)

Desde Modus Vivendi que os Tad Morose não gravavam nada. E isso quer dizer que já lá vão 10 anos. A banda que começou no campeonato do progressivo, evolui para um hard/heavy e agora, na sua nova fase, situa-se claramente num cenário heavy metal. Em Revenant, os suecos procuram no passado algumas referências e por isso até alguns pormenores progressivos é possível encontrar alguns resquícios num tema como Gypsy. Todavia, o dominante são maciças doses de riffs musculados que nascem no heavy metal tradicional mas que acabam por desaguar em linhas metálicas mais contemporâneas, onde nem a existência de picos de agressividade vocal faltam. De forma resumida, a nova vida dos Tad Morose carateriza-se por muito músculo, alguns coros interessantes, riffs fortes e alguns berros. Sinceramente esperávamos mais. Revenant acaba por ser um disco linear, com a exceção de temas como o já citado Gypsy ou Follow, que se vai repetindo, às vezes de forma monótona.

Tracklist:
1.      Beneath Of A Veil Of Crying Souls
2.      Follow
3.      Babylon
4.      Within A Dream
5.      Ares
6.      Absence Of Light
7.      Death Embrace
8.      Dance Of The Damned
9.      Spirit World
10.  Timeless Dreaming
11.  Millenium Lie
12.  Gypsy

Line-up:
Tommie Karppanen – baixo
Kenneth Jonsson – guitarras
Christer ’Krunt’ Andersson – guitarras
Ronny Hemlin – vocais
Peter Morén – bateria

Internet:

Edição: Despotz Records

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Entrevista: Lover Under Cover

Depois de Set The Night On Fire ter recebido fortes elogios por todo o mundo, Mikael Carlsson está de regresso com a segunda proposta do seu projeto Lover Under Cover. Como se uma continuação se tratasse, Into The Night mantém a mesma editora, o mesmo line-up, a mesma tendência. No entanto, representa um passo em frente em termos de qualidade musical. Fãs do hard rock melódico têm a obrigatoriedade de descobrir este projecto e este álbum. Cerca de um ano depois, voltámos a conversar com Mikael Carlsson a respeito desta nova proposta e descobrimos coisas interessantes…

Olá Mikael! Tudo bem desde a última vez que conversamos? Pouco mais de um ano passou desde a tua estreia com Lover Under Cover (LUC). Agora estás de regresso com um álbum mais forte, na minha opinião. O facto de terem mantido o mesmo line-up trouxe outra estabilidade, suponho...
Viva e obrigado pelas tuas ​​palavras simpáticas sobre o novo álbum. Claro que é uma grande vantagem poder manter o line-up intacto. Não há nenhuma dúvida sobre isso. Todos nós os quatro nos damos muito bem, por isso era natural continuarmos onde tínhamos terminado o primeiro álbum. E o tempo corre rápido quando vives bons momentos. Tem sido um ano muito ocupado, devo acrescentar.

Isso também deve permitir que tenham maiores expetativas?
Bem, todos podemos fantasiar sobre como será o último álbum, mas há tantas coisas estranhas que podem acontecer durante um projeto. E posso-te dizer que nós somos a prova viva disso.

Pode afirmar-se que Set The Night On Fire foi um trabalho mais individual de ti próprio do que este?
Talvez na questão da composição, mas não em outros aspetos. Se olhares para as demos que eu levei para estúdio para o primeiro álbum e as comparares com as músicas finais há várias mudanças em algumas das canções. Por exemplo, o refrão da faixa-título é completamente diferente do original. Todos na banda estão livres para colorir a música da sua própria maneira de forma a torná-la mais pessoal e com mais vida. Portanto, não é um one-man-show. Mas no novo álbum sente-se mais variedade porque todos os membros tiveram muito mais envolvimento na composição, arranjo e produção. Nós evoluímos como banda.

E o facto é que, apesar das super agendas de todos os membros dos LUC, vocês voltam a estar todos juntos neste novo álbum?
Sim. Não é fantástico? É mais fácil trabalhar em conjunto quando se conhecem as pessoas um pouco melhor. Eu conheço Erlandsson há mais de 30 anos, mas só conheci Perra e Martin há cerca de ano e meio. O facto é que quando começamos a gravar a bateria para Set The Night On Fire, nunca tinha visto Perra antes e o Martin só o tinha visto umas 5 ou 6 vezes. A forma como o resultado final saiu tão bom é a prova do profissionalismo destes elementos. Quando chegou a altura de começar as gravações do segundo álbum, sentimo-nos muito mais confortáveis uns com os outros e penso que isso se pode notar Into The Night. A parte complicada é gerir todas as agendas e encontrar um espaço que funcione para todos ao mesmo tempo.

Coisa engraçada: novamente a palavra "night” no título...
Sim, eu sei. Porreiro, não é? Talvez isso possa ser algum tipo de apelido no futuro? Nós não tínhamos qualquer nome para o álbum, então a ideia veio realmente da Escape Music. E nós pensamos... Por que não? E assim ficou Into The Night!

E mais uma capa com algum sex appeal, desta vez mais evidente. Poderemos, também por isso, considerar que Into The Night é a continuação óbvia de Set The Night On Fire?
Claro que é uma continuação, embora eu veja mais como uma capa sensual de que sexual. É uma capa elegante e penso que não ultrapassa os limites. Mas o ponto de vista pode ser diferente dependendo de onde vives. Eu vi a capa num site árabe que vende CD,s e o rabo da senhora foi retocado. Vivemos num mundo engraçado.

Andrés Orena voltou a fazer algum trabalho desta vez?
Sim, uma parte. O principal artista da nova capa é Chris Jones e ele fez uma capa muito porreira. Na primeira versão que tivemos a senhora estava quase nua e pensamos que poderia ser um pouco demais. Por isso, enviamo-la para o Andrés e perguntamos-lhe se ele a poderia vestir um pouco. Foi o Andrés que fez a lingerie que ela veste. Achamos que fez uma imagem um pouco mais elegante.

Set The Night On Fire foi muito bem recebido e até foi presença em muitas listas de melhores do ano. Sentiram esse peso quando começaram a trabalhar neste álbum?
Curiosamente acho que nenhum de nós realmente pensou sobre qualquer tipo de pressão que tivéssemos de ultrapassar para provar alguma coisa. Somos simplesmente quatro pessoas que adoram o que fazem. E a música que tocamos é a música que realmente amamos. Assim é simples. Mas devo dizer que sou verdadeiramente abençoado por ter estes elementos à minha volta. Eles são muito profissionais em tudo o que fazem. Martin é realmente um grande guitarrista, um compositor fantástico e um produtor de top. Mikael Erlandsson é fantástico com os teclados e, na minha opinião, um dos melhores vocalistas do mundo neste género. E Perra Johansson! Que fantástico baterista que ele é. Trabalha de uma maneira tão fácil. Apenas precisou de dois dias para gravar todas as baterias álbum. É incrível. Sinto que sou apenas o sortudo que teve a oportunidade de estar com eles.

Como decorreu o processo de gravação desta vez?
Além de uma inesperada pausa de três semanas que tivemos que fazer (ver motivos abaixo) foi bastante calmo. Perra fez o seu trabalho em dois dias. Eu gravei todas as faixas de baixo e alguns teclados no meu próprio estúdio. Alguns vocais e teclados foram gravados no estúdio Mikael Erlandsson e as guitarras e voz foram gravadas no estúdio do Martin. Assim, foi muito fácil fazer todas as partes das músicas.

A respeito das canções, o que podes dizer sobre elas, em comparação com a vossa estreia?
Devido ao fato de haver mais compositores envolvidos neste álbum, acho que se torna um álbum mais variado. E também amadurecemos e evoluímos como banda uma vez que nos conhecemos melhor uns aos outros. Isso teve algum impacto sobre o resultado final. Há algumas músicas bem hard rock, há outras mais suaves, portanto acho que todos os fãs poderão encontrar a sua própria faixa favorita.

Ainda não têm qualquer vídeo para este álbum, pois não? Já há alguma coisa planeada?
Não, de momento não, embora realmente já devêssemos ter. Mas é em situações como esta que se nota a dificuldade de conseguir conciliar as agendas de cada um. Vamos ver e quando chegar a oportunidade, corrigiremos isso.

Tu, Martin Kronlund e Perra Jonhsson também estiveram no último álbum dos Dogface, não foi? Como aconteceu isso?
Esta é que é uma história digna de ser contada. Estávamos a meio das gravações de Into The Night e já estávamos tão avançados que era a altura de Mikael Erlandsson fazer os vocais. De repente, ele teve que deixar a Suécia durante três semanas para uma tournée na Rússia com uma banda chamada Secret Service. E assim ficamos nós: estúdio reservado mas sem vocalista. O que iriamos fazer? Foi então que Martin veio com a ideia de que talvez pudéssemos recomeçar o seu antigo projeto Dogface. Eles já não lançavam nada desde 2002. Ao lado de Martin, os Dogface também era Mats Levén (Candlemass, Therion, Yngwie Malmsteen) nos vocais e, felizmente para nós, ele estava disponível nessa altura. E na realidade, conseguimos gravar um álbum inteiro com 10 músicas nessas três semanas. Quando isso terminou, Erlandsson estava de regresso da Rússia, correu para estúdio e começou com os vocais para o álbum de LUC novamente. Assim, durante o outono, trabalhamos simultaneamente em dois álbuns. Realmente confuso, com certeza.

Quanto a futuros planos para LUC?
Estamos confirmados para o Väsby Rockfestival em Estocolmo, aqui na Suécia, a 18-19 de julho deste verão. É um grande cartaz com muitas das melhores bandas de rock melódico. Jorn, Candlemass, TNT com o seu vocalista original, só para mencionar alguns. Isso vai ser muito bom! Podem confirmar e comprar bilhetes em www.vasbyrockfestival.se. Espero ver alguns de vocês por lá. Fica apenas a 15 minutos de distância do aeroporto de Arlanda, portanto é muito fácil chegar lá.

Mais uma vez obrigado e dou-te a oportunidade de acrescentar mais alguma coisa que não tenha sido abordado nesta entrevista...
Queríamos dizer muito obrigado a todos os amigos e fãs aí fora, que se juntaram a nós na nossa jornada. Estamos muito gratos por todo o apoio e esperamos conhecer alguns de vocês por aí. Por favor, visitem-nos no Facebook ou no nosso website www.loverundercovertheband.com

domingo, 26 de janeiro de 2014

Review: Lucid Dreams (Lucid Dreams)

Lucid Dreams (Lucid Dreams)
(2013, Rockworks Records)
(4.9/6)

Os Lucid Dreams são uma banda norueguesa que apresentou no final de 2013 o seu trabalho homónimo de estreia. Lucid Dreams é um trabalho bastante eclético e que não é fácil de descrever. Inicialmente remete-nos para um heavy metal clássico dos anos 80, com Iron Maiden à cabeça. Pelo meio vai baralhando as contas evoluindo para outras áreas mais próximas de Metallica e até com algum acrescento de agressividade. Muito diversificado, cheio de pormenores interessantes, com uma assinalável riqueza ao nível dos arranjos, Lucid Dreams apresenta ainda arrepiantes diálogos teclas/guitarras que podem colocar o álbum num terceiro patamar – o do progressivo. Noutro âmbito, merecem um especial reparo a forma técnica e híper-melódica como a banda consegue sacar alguns solos. Ouçam principalmente os dos temas Cassie’s Escape ou For Your Love! Verdadeiramente delicioso! Claro que com tanta diversidade é impossível ter tudo ao mesmo nível. Isso não acontece, porque os Lucid Dreams são uma banda nada dada a estagnações e em todos os momentos arrisca. Seja numa tempestuosa Stormy, seja numa paranoica Paranoia, seja numa épica Wanton Conquest. Para já, como estreia fica uma cabal demonstração de criatividade e de competência técnica, marcando o final de 2013 com um álbum que tem tanto de poderoso como de técnico. E que deixa, de forma merecida, a marca dos Lucid Dreams no cenário internacional de peso.

Tracklist:
1.      Introduction
2.      Cassie’s Escape
3.      For Your Love
4.      Daisy Dukes
5.      Closing The Deal
6.      Lucid Dream
7.      Stormy
8.      Take Me Away
9.      Paranoia
10.  Wanton Conquest
11.  Light In The Sky
12.  When I Die

Line-up:
Fredrik Sindsen – vocais
Jan-Erik Lyso – baixo
Rune Hagen – bateria
Rune Gutuen – guitarras
Adne Olastuen Brandas – guitarras
Thorleif Ostmoe – teclados

Internet: