sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Entrevista: Snowy Shaw


25 anos de carreira sempre ao maior nível é significativo. Snowy Shaw tem essa experiência e agora quis partilhá-la com os seus fans em todo o mundo com a edição de uma luxuosa caixa DVD/CD. Não quisemos perder a hipótese de poder entrevistar esta autêntica lenda tentando abarcar todos os seus diferentes aspetos e Snowy, simpático e cheio de bom humor, falou abertamente de tudo. Ou quase…

Olá Snowy! Tudo bem? Obrigado pela tua disponibilidade com Via Nocturna! O teu mais recente lançamento passa em revista a tua carreira de 25 anos. Quando decidiste fazer algo assim?
Não decidi, pelo menos até ao final de edição e finalização do material para a Box DVD/CD ao vivo quando um dia me apercebi que este ano fazia 25 anos desde que me tornei profissional quando me juntei a King Diamond. Podes chamar isso de coincidência ou de um acidente feliz. No entanto, a ideia de fazer uma coisa assim, surgiu há alguns anos antes mas por uma razão diferente.

Onde foram gravados estes espetáculos?
O primeiro na minha cidade em Gotemburgo em 2011 e o segundo no Halloween, um ano depois, em Varberg, também na Suécia.

Que músicos te acompanharam nos concertos?
Acho que já sabes, mas precisas perguntar para a entrevista, suponho. Portanto, segue a lista completa de músicos e atores convidados e envolvidos nesta caixa soberba. Primeiro o núcleo duo da minha banda desde 2011 que consiste no guitarrista Kristian Niemann (ex-Therion), no baterista Mannequim De Sade III (ex-Notre Dame) a baixista/vocalista Hellinor. No ano seguinte, contei com um line-up completamente diferente por qualquer razão, ou seja, Mark U Black ex- e novamente guitarrista solo dos Dream Evil, o baterista Petter Karlsson (ex-Therion) e a minha amiga de longa data Vikki Valkyrie no baixo e vocais - anteriormente e também atualmente nas thrash metallers femininas Ice Age. Depois tivemos uma vasta gama de convidados especiais como: Andy La Rocque, Michael Denner, Mats Leven, Hal Patino, Mike Wead, Thomas Vikström, Kee Marcello, Gus G, Pete Blakk, Mary Ann Cotton e muitos outros. Por último mas não menos importante, dois mascarados dos Opera Diabolicus, fazendo a primeira e, provavelmente, a única aparição ao vivo. Um velho amigo meu estava programado para se juntar a mim numa canção dos IllWill mas não apareceu.

Nesses espetáculos tocaste músicas das bandas por onde passaste durante a tua carreira. Foi uma tarefa difícil fazer a escolha dos temas?
Não, de todo, uma vez que o conceito e slogan era Snowy Shaw a tocar todas as suas canções favoritas das suas ex-bandas. Por isso, foi fácil escolher quais músicas numa primeira seleção também levando em consideração os convidados que estariam presentes na altura. Apesar de ter sido mais difícil com a segunda seleção de temas mais obscuros que nunca ou raramente foram tocadas ao vivo. Mas eu pus alguns no segundo espectáculo. Isto é, há um baú de tesouro sem fundo composto por com 9 ou 10 itens do fundo do catálogo de guloseimas. Não se pode ficar a tocar interminavelmente e o segundo espetáculo estava cronometrado para cerca de 3 horas, que é o limite suportável para que as pessoas possam ficar, independentemente de quão grande é pacote a entregar. No fim, tinha filmado e gravado matéria com perto de 6 horas, por isso tornou-se no que eu chamei de Operation: Kill Your Darlings - como selecionar o melhor dos dois espetáculos, sem ser demasiado longo. Isso foi muito mais difícil do que a escolha das músicas.  

De qualquer forma, há também algumas músicas pessoais tuas? Ou qualquer canção que nunca tenha sido lançada?
Pessoalmente escrevi cerca de 60% das músicas que são executadas e outro material de ex-bandas é algo que toquei ao vivo ao longo dos anos. Tudo isso foi lançado, de uma forma ou de outra. Por exemplo, uma música da qual fiz um vídeo em 2005, na altura chamada Le Masochiste foi renomeada The Fashionista, apenas para apagar qualquer possível confusão. Era para ser o meu primeiro álbum solo, mas algo aconteceu – mas isso é outra história.

A parte teatral sempre foi muito importante nos teus espetáculos e mesmo na tua música. De onde vem a inspiração?
De todos os heróis teatrais de shock rock antes de mim, suponho. Como Alice Cooper, Kiss, WASP e por aí fora. Gostaria de acreditar que eu consigo trazer algo novo e adiciono o meu próprio toque pessoal. Desde o lançamento desta caixa de DVD/CD muitos jornalistas já me comparam a Rob Zombie, enquanto outros vão tão longe a ponto de dizer que ele me roubou tudo e o que fiz foi estar de volta aos dias de Notre Dame. Eu respondo dizendo que Rob Zombie e eu somos como irmãos de uma mãe diferente – o nosso pai é Alice Cooper. Até agora não tive oportunidade de conhecer o homem, mas tenho a certeza que temos muito em comum e seríamos grandes amigos.

De regresso ao teu novo DVD, há dois atos diferentes e um DVD extra, não é? Quais são as principais diferenças entre os dois atos e o que podem os fãs esperar do DVD bónus?
Uma ligeira correcção, é um DVD e um CD, com material completamente diferente, embora a partir dos mesmos dois concertos monstruosos. Uma vez que fiz esses programas longos, e este não é o típico espetáculo de rock ou metal, decidi incluir algo usado frequentemente em teatros e óperas chamado Intermission. Só para que as pessoas pudessem ir à casa de banho ou comprar mais cerveja ou o que seja. Portanto, decidi dividir o DVD em dois atos diferentes, até porque tivemos mais uma intro e outro. O material bónus são algumas cenas de bastidores, desde a festa pós-show e sessão de autógrafos, bem como algumas entrevistas. E como se isso não bastasse, há também algumas cenas superexclusivas de fotos de Johnny Depp e Brad Pitt nus (pensei que deveria vir com algo que encorajasse a aquisição física desta caixa superaclamada pela crítica - apenas para o caso de não haver outros motivos suficientes por si só).

O CD tem um tracklist diferente. Foi apenas uma questão de tempo?
Sim, como disse, não queria torná-lo demasiado longo, porque nem sequer eu iria gostar de ver a tournée Destroyer dos KISS com um tempo superior a 4-5 horas. Mas um CD de áudio podes desfrutar de uma maneira diferente e ouvir vezes e vezes, mesmo com um filme. Depois, em segundo lugar, e para ser perfeitamente honesto, houve algumas questões técnicas. Devido à falta de comunicação entre mim e o engenheiro de luz o resultado foi, como por exemplo a música Dusk And Blood Countess Bathory que ficou tão mal iluminada que as câmaras não puderam filmar e, portanto, escolhi-as para as incluir apenas no CD.

Deixando um pouco este teu novo lançamento, podes descrever um pouco o tempo passado em cada uma das bandas?
Mercyful Fate - Foi uma verdadeira honra tocar com esses lendários pioneiros do black metal. Algo como um sonho tornado realidade, mas às vezes um sonho é melhor mantido enquanto apenas isso, um sonho. Os rapazes foram excelentes e a reunião foi um grande sucesso, mas de alguma forma a nível pessoal, nunca me senti realmente em casa nos Mercyful Fate. É triste dizer, mas simplesmente foi assim. No entanto, encontrei um verdadeiro e genuíno parentesco em Michael Denner. Eu chamo-o de Tio Denner e é uma das pessoas mais espetaculares do planeta.
King Diamond – O momento de definição de uma vida para este jovem inexperiente quando em Los Angeles 1989 arrebatou esse slot aparentemente impossível onde, mais de 40 bateristas de renome de todo o mundo fracassaram diante de mim. Tive o momento de uma vida.  
Therion – Em 2007, viajamos por todo o mundo durante um ano com Gothic Kabbalah e a tournée do 20º aniversário. Foi ótimo e adorei cada minuto, mas o meu interesse começou a desgastar-se gradualmente e receei não ser muito apreciador da direção que as novas coisas estavam a tomar. No entanto, permaneci até 2012, com exceção de algumas semanas, quando Dimmu Borgir mais ou menos me forçaram a parar com os Therion. Não sei se te lembras, mas houve um inferno de tumultos e boatos que circulam na comunicação social de metal na altura.
Memento Mori - Foi ótimo e fizemos boa música, mas os conflitos internos, subsequentes, especialmente entre mim e o Messiah arruinaram tudo. Muito mau! Considero Messiah um dos verdadeiramente grandes e os Candlemass são uma das minhas bandas favoritas de sempre. Para ser brutalmente honesto, devo dizer que adoro sair e confraternizar com ele, mas tão espectacular que ele é como pessoa que é igualmente horrível para trabalhar profissionalmente. Este facto é um dos segredos mais mal guardados do negócio. Basta perguntar ao Leif Edling.
ILLWILL - Uma banda à frente do seu tempo. O mundo ainda não estava preparado para essa banda brilhante de metal e fomos praticamente ignorados em todo o universo. Tive essa grande expetativa sobre isso e realmente tinha toneladas de inovação, novas ideias, ideias que alguns anos mais tarde se realizariam com enorme sucesso por outros como Rammstein, Marilyn Manson e Meshuggah entre outros.
Dream Evil - Nunca me diverti tanto em qualquer outra banda. Dream Evil tinha todo o potencial e poderia e deveria ter-se tornado enorme, se não fosse o facto de ninguém, exceto Gus e eu, estarmos dispostos a comprometermo-nos a 100%. Foi pena.
Loud ‘n’ Nasty - Rob Nasty é um dos meus melhores amigos, é como o irmão que nunca tive. Compartilhamos muitas ideias e pontos de vista, mas não necessariamente o gosto musical. Ofereci-me para produzir um mini-álbum deles, pelo que as coisas não foram exatamente como trabalhar para eles e tive pena pelos seus esforços e na frustração na tentativa de trazer alguns entalhes. Isto resultou num contrato de gravação para o Japão. Muitas voltas e mais voltas mais tarde, por várias circunstâncias, isso acabaria por se tornar numa outra banda chamada...
XXX – Como as coisas se desenvolveram, os XXX acabaram por ser o meu veículo para a minha obsessão com a era do glam rock dos anos 70 com o qual eu cresci a gostar de bandas como Bowie, Sweet, T-Rex, etc. Estou orgulhoso do álbum que fizemos, não só porque é uma grande coleção de cativantes bubblegum hits em potencial, mas porque eu, sozinho, conseguiu salvar um navio afundando. Em completo contraste com a luz fácil que queríamos trazer para o álbum Heaven, Hell or Hollywood?, foi um nascimento extremamente difícil.
Dimmu Borgir - É engraçado como algo que parecia tão incrivelmente bom desde o início, de repente se tornou tão incrivelmente mau num único flash. Entra o manager. Apesar de toda a imagem satânica e em completo contraste com a crença comum, aquela malta é um conjunto de anjos, enquanto seu empresário é, literalmente, o diabo. A minha banda de Black Metal favorita, sem dúvida.  
Notre Dame – Uma ideia bizarra minha entre 1997 e 2004. Um caldeirão onde misturei todo o meu fascínio, inspiração e paixões desde a infância. Fortemente enraizado em banda desenhada e filmes de terror. E saiu um deliciosamente saboroso fermentação de bruxas.
Opera Diabolicus - Outro desses partos difíceis. Acho que não estou a exagerar quando afirmo que demorou oito anos para terminar o álbum de estreia e eu só estive envolvido durante os últimos quatro. Mas é um fantástico trabalho de arte e eu adoro o conceito de ópera rock em jeito de doom metal com vários cantores a interpretar diferentes papéis que interagem na linha da história. Finalmente começamos recentemente a trabalhar num novo álbum, mas se os dois elementos principais do projeto vão repetir o mesmo procedimento e insistir na gravação, voltar a gravar, misturar e remasterizar ad absurdum, suspeito que não vai estar cá fora pelo menos antes de 4 anos. É o Chinese Democracy do Doom Metal teatral.
Theatres Des Vampires - Não muito para dizer, suponho. Nunca cheguei a conhecer as pessoas; apenas gravei alguns vocais no meu próprio estúdio e enviei o ficheiro.
Mad Architect - Isso era algo como uma bola de curva e devo dizer que o primeiro álbum saiu muito melhor do que eu esperava, por isso já estamos a trabalhar num segundo. E acredito que vai ser muito melhor já que estou muito mais envolvido, a partir do zero neste momento. No processo de composição e arranjo e vou supervisionar toda a gravação. No primeiro fui contratado como vocalista e tive apenas o material enviado para mim, juntamente com letras escritas sem quaisquer linhas vocais em mente, pelo que tive que fazer o meu melhor e cantar o melhor que pude em cima da música final. Na minha maneira de ver é uma forma absurda de trabalho que vai contra tudo como eu prefiro trabalhar, mas ao mesmo tempo gostei do desafio. E devo dizer que estou orgulhoso de mim mesmo e como fiz isso funcionar contra todas as probabilidades, e que realmente ficou muito bom aqui e ali, graças a minha própria criatividade e desenvoltura. Queres ouvir algo estranho? Embora todos nós vivamos na mesma cidade, até há pouco tempo eu nem sequer conhecia os elementos, particularmente, o líder, guitarrista e compositor Magnus Daun, que, por sinal, é uma pessoas incrivelmente agradável e confiável. Por enquanto sou só eu e ele, e desta vez além de fazer todos os vocais também vou tocar bateria e, possivelmente, alguns dos baixos se não encontrarmos um bom e adequado elemento.
            Sabaton - O melhor grupo de pessoas com quem já tive o prazer de trabalhar, para ser completamente honesto, e que inclui todos e cada uma das pessoas da equipa e da organização. Não estou a dizer que todas as outras bandas não fossem grandes, mas os Sabaton têm algo fora do comum. Até agora nunca lamentei ter deixando uma banda, mas admito que com os Sabaton senti-me um pouco emocional a esse respeito e achei que me iria arrepender dessa decisão. Na verdade, amaldiçoei-me por ter todas essas ambições de fazer a minha própria música. Se eu pudesse apenas contentar-me em viver a vida apenas como um baterista numa banda de sucesso, eu deixava ir e a minha vida seria muito mais fácil e conveniente.
            Outros nomes que possa ter esquecido… - Não esqueceste muitos. Somente os The CNK & Snowy Shaw, Kee Marcello’s K2, Ralf Scheepers por exemplo, mas eu prefiro deixar assim e passar à próxima pergunta.

É verdade que estiveste nos Dimmu Borgir apenas um dia em 2010? Podes explicar essa história? Até porque gravaste no álbum Abrahadabra?
Eu fiz todo o baixo e vocais limpos em todo o álbum. E não, eu estive envolvido com os Dimmu Borgir durante cerca de 7 meses. Claro, eu posso revelar-te todos os segredos sobre o que aconteceu e que levou à minha morte prematura, mas depois teria que te matar! Agora a sério, tenho um contrato onde estou proibido de revelar quaisquer detalhes a este respeito. Ainda.

Porque a escolha de um nome como Snowy Shaw? Quando surgiste com este nome pela primeira vez?
Tem sido o meu apelido desde a infância. Snövit é Branca de Neve em sueco e uma abreviação natural é Snowy. Quando entrei para King Diamond e me tornei músico profissional não queria usar o meu nome de nascimento, Tommie, e ser confundido com outros bateristas, como Tommy Lee e Tommy Aldridge. O meu segundo nome é Mike e o terceiro Chris, e é quase desnecessário salientar quantos pessoas existem com esses nomes. Não, eu queria ser único e excecional com um nome que ficasse como Ozzy, Ace, Blackie, Alice, King e assim por diante e, portanto, aí fui eu como Snowy como um nome artístico também. Há cerca de 20 anos atrás mudei-o legalmente.

Também trabalhas como fotógrafo e designer. Como vão as coisas? Tens trabalhado em alguma coisa ultimamente?
Devido à falta de tempo e um pouco falta de interesse, não tenho feito muito disso ultimamente nem para os outros nem para a minha própria banda. Mas sempre que alguma coisa fixe surge sinto que quero trabalhar, tendo tempo e sendo bem recompensado. Há uns tempos atrás, Christofer, o líder dos Therion veio ter comigo e perguntou-me se estaria interessado na conceção de algumas coisas para ele. Vamos ver o que acontece.

Ainda te lembras dos teus tempos de miúdo? Que bandas escutavas? Qual eram as sensações na altura?
Ainda sou um miúdo só que um pouco mais enrugado, gasto e velho, mas isso é só no exterior. Brincadeiras à parte, é claro que me lembro. Ouvi casualmente os Sweet, Deep Purple, Nazareth e outras coisas que a malta mais velha tinha nos seus aparelhos de som. Foi bom, mas nada que se pudesse comparar com o momento em que descobri os KISS numa loja dos subúrbios da minha cidade em março de 1976. Era um fã incondicional de banda desenhada e filmes de terror e tropecei neste LP Destroyer com quatro ferozes supermonstros. Embora não conseguisse entender o que estava a segurar na minha mão. Não era uma história de banda desenhada e parecia ser um disco da música com uma pintura incrível na frente. Fosse o que fosse, sabia que tinha de ter aquilo e quando finalmente juntei dinheiro suficiente para o comprar, vendendo o meu arco e flechas e algum lixo, e o coloquei a tocar, todo o meu mundo mudou num piscar de olhos. Pneus de carro a chiar, crianças a gritar e a chorar, música demoníaca e rock pesado. O genial produtor Bob Ezrin criou uma obra-prima tão fenomenal e tão cinematográfica que era quase como se fosse uma banda sonora de um filme que passava dentro da minha cabeça. Este foi uma daquelas experiências que mudou a minha vida para sempre.

Também te lembras do primeiro álbum que compraste e da primeira banda que viste ao vivo?
O primeiro álbum que comprei com meu próprio dinheiro foi o dos Kiss, mas antes disso, ou mais ou menos na mesma altura, comprei o Greatest Hits dos Nazareth e o Strung Up dos Sweet, para o aniversário ou Natal, acho eu. Diferente dos concertos semiprofissionais com bandas suecas no centro da juventude, o primeiro concerto de verdade foi dos Iron Maiden, na Primavera de 1983, quando tinha 14 anos.

Se te perguntasse onde passaste os teus melhores momentos, o que responderias?
Na cama.

Com uma carreira tão marcante no metal, há algo que ainda penses fazer no futuro que ainda não tenhas feito?
Este DVD/CD marca o meu 25º aniversário e é um somatório de meu passado, mas eu ainda me sinto jovem no coração e extremamente apaixonado. Na verdade, gostaria de acreditar que o melhor ainda está por vir, e este lançamento é também o pontapé de saída para a minha carreira homónima como artista a solo. Assim que terminar com todo o trabalho que ainda tenho relacionado com o DVD ao vivo, como falar contigo e negociar acordos em todo o mundo, irei entrar em estúdio e começar a gravar o meu novo material que há tanto tempo está à espera.

25 anos no metal. De que mais te orgulhas de ter feito? E de que tens mais vergonha (risos !!)?
Vamos começar pelo fim. Tento não pensar nisso como tal. Aprendemos com tudo o que fazemos, seja uma experiência boa ou má. Portanto, não posso dizer que tenho algum arrependimento ou que me sinta particularmente envergonhado de nada que fiz. Sempre fui totalmente honesto e genuíno nas minhas intenções e de ter feito o meu melhor, dadas as circunstâncias. Pelo menos de todos os erros e atos questionáveis ​​recolhi muita experiência e aprendi a não cair na mesma armadilha novamente. Quanto a orgulhar-me – na realidade, não consigo escolher uma única coisa entre tudo o que eu fiz ao longo dos últimos 25 anos como profissional. Tenho orgulho de ter sobrevivido e de me ter mantido tanto tempo no negócio mais cruel e enganador que existe. O que não te mata, faz-te mais forte, certo? E Deus, sou muito forte!

Falando de futuro, acredito que estejas sempre a trabalhar, certo? Mas pergunto em que estás a trabalhar neste momento?
Estou a falar contigo, meu amigo, e isso é parte do trabalho de promoção. Além disso estou a gerir o negócio da minha própria editora e empresa de produção, a loja online, o planeamento para os próximos lançamentos, organização etc etc. Por mais que tenha para fazer tento sempre roubar algum tempo para tocar um pouco e, sobretudo, escrever novo material.

Bem, Snowy, mais uma vez, obrigado, pela tua disponibilidade e deixo este último momento para que possas enviar uma última mensagem...
Um pouco fora do assunto, acho eu, mas estou cansado da Suécia, embora ainda prefira permanecer na Europa e Portugal está no top 3 da minha lista de lugares para me mudar. Alguns pensamentos a este respeito? Pode ser uma boa ideia agendar uma série de shows no próximo ano com a minha banda homónima e ter um pouco mais de tempo para verificar as coisas em Portugal uma vez que até agora só visitei um par de vezes quando estava em tournée. De qualquer forma, obrigado pelo vosso apoio e por permanecerem fiéis… Podem fazer uma visita à minha loja, onde além desta caixa com o DVD/CD podem encontrar muito merchandise exclusivo e fixe, cartazes, CDs, Vinis, acessórios e memorabilia e muito, muito mais.



quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Playlist 30 de outubro de 2014


Review: Out Here (Cody Beebe & The Crooks)

Out Here (Cody Beebe & The Crooks)
(2014, Independente)
(5.3/6)

A primeira referência a ser notada (para além do nome, claro!) é a origem deste coletivo: Seattle – a terra onde o grunge nasceu. E mesmo que a banda ainda cite os Pearl Jam como influência, parece-nos que essa é mesmo muito subtil. A abrir Out Here promete muito rock, muito hard rock mesmo, com as guitarras bem distorcidas. Mas o quinteto acaba por evoluir e por não se prender muito tempo em nenhum género. Daí para a frente pode ouvir-se rhythm ‘n’ blues, soul, funk e swing, tudo cruzado com americana e roots-country. Ah! E rock, claro! Para isto tudo resultar minimamente ocorre o recurso a uma série de argumentos que passa pela inclusão de violinos, hammond, saxofone, trompete, voz feminina, elementos acústicos. O resultado? Um disco suficientemente rico, equilibrado e diversificado com um conjunto de agradáveis surpresas e bastante emotividade. E que atinge os momentos mais altos em temas como Dangerous (é realmente brilhante!), Out Here (aquele piano parece ter saídos dos Supertramp!), Bitter Run e Sweep (emocionalmente muito fortes). Nesta altura a banda encontra-se a preparar o sucessor deste Out Here, sendo certo que os espera uma tarefa importante para se superarem a si próprios.

Tracklist:
1.      Alleyway
2.      Hold The Line
3.      Never Too Young
4.      Circle
5.      Dangerous
6.      Out Here
7.      Bitter Run
8.      I’ll Get Mine
9.      Anvil
10.  Sweep
11.  Counting Sheep
  
Line-up:
Cody Beebe – vocais, guitarras
Aaron Myres – piano, órgão, teclados e sax alto
Eric Miller – baixo e guitarra
Joe Catron – percussão
Chris Green – bateria

Convidados:
Fysah – vocais
Ty Paxton – harmónica
Greg Floyd – guitarra solo
Tim Snider – violino
Andrew Vait – backing vocals
Pauline Wick – backing vocals
RL Heyer – guitarra e lap steel
Tommy Simmons – backing vocals
Skyler Mehal – guitarra solo
Daniel Kamas – backing vocals
David Miner – sax tenor
Blake Noble – didgeridoo
Steve O’Brien – trompete

Internet:

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Entrevista: Choque em Cadeia

São jovens. Mas os argumentos que apresentam são de peso. Falamos dos Choque em Cadeia e do seu refrescante álbum de estreia Pés na Estrada. Mais uma interessantíssima revelação neste ano de 2014. Por isso, quisemos conhecer um pouco melhor o quarteto lisboeta que se reuniu para nos saciar a curiosidade.

Olá pessoal! Obrigado pela vossa disponibilidade. Quem são os Choque em Cadeia?
Luís Lança de Morais na bateria, João Costa na guitarra solo, Manel Parreira no baixo e Carlos Noronha na voz e na guitarra.

O que vos motivou a criar este projeto?
Decidimos criar a banda quando tínhamos 13 anos porque queríamos fazer a nossa própria música, no fundo, a música que gostávamos de ouvir mas que achávamos que ainda não existia. Por outro lado, desde cedo que nos apercebemos que era coletivamente que o poderíamos fazer da melhor maneira e por isso juntámo-nos, começámos a tocar e fomos gostando cada vez mais e banda foi se tornando cada vez mais importante para nós.

Que nomes ou movimentos mais vos influenciaram ou influenciam nesta vossa caminhada?
Musicalmente, as nossas influências assentam muito no movimento Rock‘n’Roll, que tem como pais os Rolling Stones e que tem sido passado de geração em geração através de bandas como os Black Crowes ou os Strokes, que também são influências importantes para nós. No fundo, é o lado do Rock mais groovie, mais cru e com um toque de Blues muito importante. Em termos de letras, neste disco, está muito presente a influência do ambiente da estrada do Dylan, da viagem sem destino, da boémia e da festa. Mas também está presente o espírito da denúncia e da crítica social, muito influenciado pela vida quotidiana e pelas notícias.

Já tinham tido outras experiências noutros projetos? Dentro da mesma linha musical orientadora?
Ao longo do tempo fomos tocando com outras pessoas e alguns de nós já fizeram parte de outras bandas mas nunca foram projetos comparáveis a este que temos agora com os Choque em Cadeia. De qualquer maneira, e ainda que tenhamos aprendido muito uns com os outros e tenhamos limado melhor o nosso som, já tínhamos definido, antes de começarmos a tocar juntos, que a melhor maneira de nos expressarmos era o Rock. Sendo todos autodidatas, acabámos por encontrar no espírito do Rock’n’Roll a melhor forma de nos expressarmos, e no fundo foi isso que nos juntou.

Porquê Choque em Cadeia! Algum significado?
Não existe grande história por trás do nome, simplesmente surgiu essa ideia e foi ficando. Agora já nos habituámos…

Recentemente lançaram o primeiro longa duração, Pés na Estrada. Como o descreveriam?
É sempre difícil para nós descrever música, mas podemos dizer que é um bom álbum de Rock’n’Roll, com bastante groove, com um toque importante de Blues e, sobretudo, muito sentido e espontâneo. Quando nós estamos a escrever ou a gravar músicas tentamos sempre preservar a sua essência, porque achamos que isso é que é realmente importante. Outro aspeto importante no disco são as letras, que acabam por ser uma parte muito importante das músicas e às quais achamos que vale a pena dar atenção porque transmitem mensagens que mostram bem a forma de estar e atitude da banda.

Precisamente, é interessante a abordagem lírica, em jeito de contar histórias, numa linha Jorge Palma. É uma referência para vocês?
O Palma é sem dúvida uma referência para nós, sobretudo no que diz respeito às letras. Até porque achamos que ele é um dos melhores letristas portugueses. Mas as semelhanças que possam existir entre o nosso estilo e o dele também têm a ver com o facto de termos algumas influências em comum: desde o Dylan ao Lou Reed…

Um dos temas mais curiosos é Rockinho Mandado. Podem contar-nos como surgiu a ideia para desenvolver esse tema? A quem é “dedicado”?
Esse tema é o único do disco que não é original, é uma cover dos Sheiks. Gostámos dele pelo ambiente Rock’n’Roll que tem e pela letra, que é dedicada aos Rock doutores. Ou seja, aos críticos que dão muitas opiniões e se acham donos da verdade, mas que na maior parte dos casos não trazem nada de novo ao Mundo porque o que importa é a opinião do público. Parafraseando a letra da música, a única coisa que temos a dizer a todas essas pessoas é “Vão dar leis para outro lado!”.

Sendo ainda bastante jovens, acredito que tenham sido afetados por toda a crise vivida em Portugal. Pés na Estrada é uma resposta ao convite do Primeiro-ministro para se emigrar?
Não, até porque não damos assim tanta importância ao primeiro-ministro. A única relação que se pode fazer em todo o disco com esse “convite” é uma das frases do Deixa Rolar: “E o teu país não te deixa ficar”. De facto, achamos que esta vaga de emigração forçada não é justa e a nossa geração tem de fazer alguma coia contra isso rapidamente.

Deixa Rolar é o primeiro vídeo retirado do álbum. Porque a escolha deste tema?
Foi o tema que nos pareceu mais indicado para primeiro single por ter uma boa energia e uma boa letra. Achamos que define bem o estilo da banda e, mais importante que tudo, achamos que é uma boa música. De qualquer maneira já está na altura de lançar mais um single com vídeo e fá-lo-emos brevemente.

Sim, o álbum tem outros temas bastante fortes. Há, portanto, ideias para mais algum vídeo…
Sim, por enquanto estão pensados mais 3 vídeos, que iremos gravar dentro de pouco tempo e que esperamos que estejam disponíveis brevemente.

Este é um lançamento iPlay. Como se proporcionou o contacto com a editora?
Esta relação com a editora resultou de um acaso. Nós estávamos a gravar um EP e um dia apareceu no estúdio o nosso atual manager, que ainda não nos conhecia, que nos ouviu a gravar e ficou interessado na banda. Mais tarde, fez-nos uma proposta para trabalharmos com ele e para gravar um disco com mais temas do que um EP e com uma produção “a sério”. Depois a Iplay gostou do resultado do disco e decidiu editá-lo.

Que projetos e ambições têm para os Choque em Cadeia na música, mesmo que em outros projetos?
Nós agora queremos tocar o Pés na Estrada pelo país inteiro. Ainda estamos na fase de promoção e por isso é que ainda não começámos a tocar ao vivo. Estamos muito ansiosos para que cheguem os concertos e para ver a reação do público a este nosso primeiro disco. Achamos que vai resultar bem ao vivo, até porque somos uma banda muito virada para o palco e gravámos o disco a tentar que ele soasse ao máximo como o que soa nos concertos.

Então ainda não há muito agendado para os próximos tempos?
Brevemente vamos anunciar o concerto de apresentação do disco e a ideia é, depois disso, fazer uma digressão pelo país.

Mais uma vez obrigado! Querem deixar alguma mensagem?
Obrigado nós! Queremos dizer a toda a gente que ainda não nos conhece, que nos procure nos locais habituais e que oiça o nosso disco, de preferência bem alto!