sábado, 28 de fevereiro de 2015

Review: American Stranger (Lunden Reign)

American Stranger (Lunden Reign)
(2015, Independente)
(5.5/6)

Lunden Reign é o nome do novo projeto que junta Nikki Lunden e Lora G Espinoza-Lunden com o guitarrista Luis Maldonado (Bigelf) e American Stranger o trabalho de estreia que tem vindo a fazer furor no lado de lá do atlântico. O projeto tem origem na Califórnia e até já foi apelidado de “o novo som de LA”. Então, o que de tão transcendente tem este trabalho? Em primeiro lugar trata-se de um rock intemporal – um rock que chega aqui e ali a pisar terrenos de um hard rock soft e por vezes até com uma atitude punk - que terá sempre lugar em qualquer discografia que se preze. E porque? Poderíamos apontar várias razões: o trabalho de guitarra de Maldonado é de grande destreza técnica e melódica num registo a variar entre o elétrico e as bases eletroacústicas com inclusão de alguns riffs pesados; a voz de Nikki Lunden é pojante e arrebatadora; o trabalho de bateria apresenta uma dinâmica muito interessante; a inclusão do violoncelo em três temas revela-se perfeitamente adequada. Os temas, curtos na sua generalidade, são suficientemente diretos e elucidativos das pretensões do coletivo que, assim e acima de tudo, assina um conjunto de belas canções. Como, por exemplo, Love In Free Fall, The Savage Line, 28IF (Without, Which Not), Hear Me ou When Love Lies. Portanto, como se percebe, o burburinho que este coletivo tem vindo a causar no lado de lá do Atlântico é mais que justificado. Está, também, na altura da Europa os descobrir.

Tracklist:
1.      Love In Free Fall
2.      The Savage Line
3.      28IF (Without, Which Not)
4.      Hush & Whispers
5.      American Stranger
6.      Hear Me
7.      Mary
8.      The Light
9.      When Love Lies
10.  It’s About Time

Line-up:
Nikki Lunden – vocais
Lora G Espinoza-Lunden – guitarras
Luis Maldonado – guitarras e baixo
Geoff Pearlman – guitarras adicionais
Ana Lenchantin – violoncelo
Morgan Young e Gerry Doot – batería
Hector Maldonado e Matthew Denis – baixo

Internet:

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Entrevista: InLegend

Hand-hammered piano craft. A expressão diz-vos alguma coisa? Não? Então descubram o que Bastian Emig, aqui vocalista, mas na maior parte do tempo baterista nos Van Canto tem para oferecer nos Inlegend. Fazer metal sem guitarras já não é a primeira vez que acontece, mas o coletivo germânico eleva essa premissa a um patamar único de genialidade. Fiquem com as explicações do próprio Bastian Emig.

Olá Bastian, é um prazer falar contigo e obrigado pela tua disponibilidade. Conta-nos como se faz rock e metal sem... guitarras?
Bem - em nossa opinião ser rock ou metal é mais uma atitude do que um line-up em concreto. Já ouvi grandes bandas de metal, que até incluem cantores de ópera... consegues imaginar??

Então aparece o conceito hand-hammered piano craft. Como o descreverias?
Yeahuma vez que sou baterista, acho que a minha maneira de tocar piano tem uma abordagem bastante percussiva. Depois, há martelos e energia – tudo produzido pelas tuas próprias mãos... Se gostas do que ouves… Aí está: hand-hammered piano craft.

O conceito é realmente inovador! Quando tiveste a ideia de fazer algo assim?
costumava escrever canções no piano para minha ex-banda de metal Jester’s Funeral. Para fazer com que os guitarristas entendessem o que eu queria que eles tocassem, tive que encontrar maneiras que se assemelhassem a guitarras para me certificar que eles percebiam as minhas ideias. Mas existem muitas grandes bandas com piano por aí, que facilmente manteriam o ritmo, como Panzer Division, Marduk e tal...

De qualquer forma, a inovação parece ser a tua marca. eras baterista de outra banda inovador - Van Canto. A eterna busca de algo novo, certo?
Poderia parecer que sim, mas para ser honesto, nunca me importei com algum conceito em concreto ou com novas formas de fazer música. As coisas que faço são limitadas pelos meus dons e dirigidas pela diversão.

Portanto, qual será o teu seu próximo passo?
Wembley!! Não, a sério, estou a tentar compartilhar a nossa música com o maior número de pessoas possível. Há tanta música por aí que estamos contentes que alguém utilize o seu tempo ouvindo a nossa música.

A respeito de Stones At Goliath, parece que não foi um processo fácil, com mudanças de line-up. O que aconteceu exatamente?
Yeah - todos nós temos outras bandas além dos INLEGEND. Uma vez que o processo de gravação demorou algum tempo, os nossos ex-baterista e baixista continuaram a tocar nas suas próprias bandas e foram-se ocupando com as suas coisas. Como tentamos tocar as novas músicas, também rapidamente se tornou evidente que era necessário mais um pianista, porque algumas músicas são, pelo menos, a quatro mãos. E como decidi focar-me nas vocalizações para poder interagir com as pessoas ao vivo, tivemos que encontrar mais três membros o que não foi uma coisa fácil.

Existe algum significado especial nesse título Stones At Goliath?
De alguma forma, reflete os últimos anos que passamos... às vezes sentíamo-nos como David a conquistar muitos Golias e as únicas coisas nas nossas mãos eram algumas boas canções onde colocávamos todas as nossas esperanças. Mas acho que toda a gente tem algo para segurar, enquanto enfrenta o seu Golias pessoal... precisamente pedras direcionadas, disparadas com uma coragem nascida do desespero e convicção de pode fazer milagres.

E que diferenças entre este novo álbum e Ballads & Bullets?
Muitas! E espero que os nossos fãs consigam ouvir toda essa progressão. Acho que o disco é muito diversificado, colorido e versátil. Abrem-se muitas paisagens sonoras que te transportam consigo numa pequena viagem através de algumas melodias agradáveis.

Ballads & Bullets havia sido um lançamento SPV. Stones At Goliath marca, também, a estreia de uma nova editora. Como lidaram com essa alteração?
Após este longo processo de composição, gravação, mistura e tudo o mais, decidimos não colocar esta preciosidade nas mãos de quem iria lidar com ela como mais um disco. Procurámos um parceiro forte que entendesse o valor desta loucura. E quem, de facto, é mais qualificado que os nossos fãs? Foi por isso que decidimos fazer o lançamento através de uma campanha de crowdfunding e o resultado foi de cortar a respiração. Acho que os nossos objetivos foram ultrapassados quatro vezes... Ainda não consigo acreditar nos últimos três meses...

Um dos pontos mais fortes deste álbum, na minha opinião, são os coros. Com quantos coros trabalharam?
Obrigado! Há, na verdade, vários tipos de coros neste disco. Um enorme Coro Gospel, com quem tivemos o prazer de trabalhar, um coral de crianças que fizeram um grande trabalho e, claro, alguns coros gritados, mais fortes, que incluem a maioria dos membros dos Van Canto. Senti-me abençoada por ter sido capaz de trabalhar com tantos timbres diferentes. Atualmente convidamos o Stimmgewalt Choir, de Berlim, para alguns dos nossos últimos espetáculos ao vivo para poder chegar perto do sentimento do disco foi uma grande aventura!

Que balanço fazes desta experiência única de trabalhar com coros gospel, de ópera e com crianças?
Como compositor estou muito grato porque abre uma nova dimensão de sons e timbres que normalmente não tens. Também foi emocionante trabalhar as letras - em relação às partes com perguntas/respostas como em On The Morrow. Ao ensaiar e gravar essa canção senti-me um pouco como estando num palco de teatro a atuar conjuntamente com o coro. Os coros foram dirigidos por mim e foi uma grande experiência - como pequenos movimentos podem afetar a parede de som na tua frente - incrível... Certamente também cansativo, mas acho que é o preço para bons resultados .

Têm alguma tour agendada para promover Stones At Goliath?
Nós tocamos em qualquer palco. Mesmo que seja um muito pequeno como um jardim em frente da casota do teu cão – e podemos apresentar um sereno show acústico ou um nós-arrebentamos-com-a vossa-cabeça-sem-piedade... Quem nos quiser agendar será muito bem-vindo!

Muito obrigado, Bastian! Foi um prazer poder fazer esta entrevista. Queres acrescentar mais alguma coisa?
Obrigado, muito obrigado pelo vosso tempo - eu sei como é precioso e nós apreciamos muito se quiseram dar-nos uma oportunidade de ouvir Stones At Goliath. É impossível colocar mais sangue, suor e lágrimas num disco. Estou certo disso. Obrigado pela atenção!

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Playlist 26 de fevereiro de 2015


Review: iDentity (Alpha Tiger)

iDentity (Alpha Tiger)
(2015, Steamhammer/SPV)
(5.5/6)

Definitivamente, os germânicos Alpha Tiger encontraram a sua identidade. E não dizemos isso apenas pelo título do seu novo álbum. Dizemos isso porque é de facto um dado adquirido. iDentity é um disco suficientemente diversificado que, dentro do metal, é capaz de se movimentar em diversos campos aparentemente sem o mínimo problema. A base é heavy metal clássico cruzado com algum NWOBHM sendo que o espectro acaba por abranger o glam metal (em Long Way Of Redemption) e até o thrash progressivo (numa linha Wrathchild America) em temas como Shut Up & Think e This World Will Burn. Curioso e simultaneamente muito interessante é a introdução de elementos gypsy – seja nas castanholas em Long Way To Redemption ou nas guitarras acústicas, alguns ritmos e linhas melódicas vocais de This World Will Burn. O resto gira à volta de vocais altos, solos muito bem conseguidos, harmonias nas guitarras e diversas e bem introduzidas alterações rítmicas. O resto que não é tão pouco assim, e que no seu conjunto contribui para um excelente regresso dos germânicos com um dos melhores discos de metal tradicional deste início de ano.

Tracklist:
1. Intro
2. Lady Liberty
3. Scripted Reality
4. Long Way Of Redemption
5. Identity
6. We Won`t Take It Anymore
7. Revolution In Progress
8. Closer Than Yesterday
9. Shut Up & Think
10. This World Will Burn

Line-up:
Peter Langforth – guitarras
Stephan Dietrich – vocais
Alexander Backasch – guitarras
Dirk Frei – baixo
David Schleif – bateria

Internet:

Edição: Steamhammer/SPV