segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Entrevista: Second Rate Angels


De Inglaterra surgem os Second Rate Angels, um novo coletivo com som forte e compacto e com guitarras musculadas. Para já, dois EP’s tiveram o efeito de por os metalheads a ouvi-los com mais atenção. A nova proposta, II foi o mote para contactarmos o quarteto através do guitarrista Chris Lewis.

Viva! Obrigado pela disponibilidade. Novo EP cá fora - o que têm a dizer sobre isso?
Estamos muito animados com este lançamento. Sentimos que expressa muito melhor que os lançamentos anteriores aquilo que são os Second Rate Angels. Musical e liricamente estamos muito satisfeitos com ele e espero que os outros gostem tanto quanto nós.

Quais são as vossas principais influências?
As nossas influências são muito variadas, já que cada um de nós é influenciado por diferentes géneros. Andy (bateria) cresceu com o Jazz, e como tal traz para a bateria um ângulo diferente do habitual dos bateristas de metal. Os nossos guitarristas, Jeremy e Chris, vêm ambos do lado pesado da música, sendo influenciado por bandas como Parkway Drive. O nosso baixista e vocalista Dave é um punk.

É uma opção vossa lançar apenas EP’s?
Temos lançado apenas EP’s por duas razões. Por um lado, temos limitações de dinheiro, e, como tal, um EP permite-nos ir lançado música. Isto é muito importante para nós, pois não queremos ser esquecidos. Em segundo lugar, nós só quereremos gravar músicas com as quais estamos 100% contentes. Muitas vezes, menos é mais. Mas, da próxima vez, pretendemos lançar um álbum.

E, desta vez, como foi o vosso método de trabalho?
Para nós, escrever canções um processo bastante simples. Um de nós tem um riff e se todos gostamos dele tocamos em torno desse riff até que tenhamos uma canção. Pode demorar um pouco mais dessa maneira, mas permite-nos criar uma música que soa natural e que reflete os verdadeiros Second Rate Angels.

Têm uma música chamada 2 In 24. O que significa?
(Risos) Receio que seja um segredo banda. Não tem nada a ver com a música, mas sim algo juvenil e tolo que achamos bastante engraçado numa jam.

Como foi a experiência de gravação desta vez?
Este EP foi gravado por Phil Kinman. A gravação com ele foi um prazer enorme. Foi tudo feito muito rapidamente e sem dor, com Phil recebendo o melhor de nós com muita facilidade. A gravação é sempre um processo emocionante, especialmente quando o EP soa exatamente como queríamos. Definitivamente vamos voltar para o Sr. Kinman em breve.

E o que têm a dizer de levar estas músicas novas para palco. O que têm programado?
Começaremos a dar concertos novamente em março após o lançamento do novo EP. Todas as músicas desse EP serão tocadas mais um par de canções novas cuja escrita tenha sido concluída.

Muito obrigado! Querem acrescentar mais alguma coisa?
Verifiquem o nosso novo EP. Temos muitos vídeos no youtube por isso, vejam-nos bem. Oh e digam a todos que conhecem os Second Rate Angels!

domingo, 28 de fevereiro de 2016

INFO: Odin's Court relançam Deathanity (R3)

A banda de metal progressivo Odin’s Court anunciou para 1 de março a reedição do seu álbum Deathamity (R3) (5.5/6). Originalmente lançado pela ProgRock Records em 2008, esta nova versão está remisturada, remasterizada e com novos registos, como acontece com as gravações de novos vocais. De acordo com Matt Brookins, líder da banda, este foi um álbum importante para a banda, tendo trabalhado muito num disco que continua a ser o trabalho mais popular e o mais bem-sucedido em termos de vendas. Apesar disso e o do orgulho que o coletivo americano coloca em Deathanity (R3), acreditam que há fatores que poderiam ser melhorados. E a entrada na banda do vocalista Dimetrius LaFavors é um desses fatores, juntamente com as melhorias ao nível da produção e da engenharia. A terminar, o conceito do álbum está-se a tornar cada vez mais importante no mundo atual. Estilisticamente, este é um álbum pesado, progressivo e artístico. Recorde-se que Deathanity (R3) foi muito bem aceite na altura, sendo um disco que apresenta uma maravilhosa variedade de secção para secção, com a instrumentação e as composições a serem claramente os pontos fortes. Um disco com um som bastante personalizado e com muita qualidade, com uma produção fantástica, muito agradável ao ouvido, com guitarras bem trabalhadas e onde todos os instrumentos estão em posição onde cada um deles se distingue com total facilidade. Um disco perfeitamente indicado para fãs de Pink Floyd, Dream Theater, Devin Townsend, Porcupine Tree e Enchant. A reedição de Deathanity (R3) surge depois do sucesso que foi Turtles All Way Down do ano passado e numa altura em que os Odin’s Court já preparam a segunda parte do ataque das suas tartarugas.

Tracklist:
1.      Terracide
2.      Volatilestial
3.      Manifest Destiny
4.      Oceanica Toxica
5.      Mammonific
6.      Animaulic
7.      Esoterica
8.      Crownet
9.      Obesite
10.  Ode To Joy
11.  Cosmosera
12.  Vastificant

Line-up:
Matt Brookins – guitarras, teclas, vocais
Rick Pierpont - guitarras
Dimetrius LaFavors - vocais
Gary Raub - bateria
Jason Pierpont – baixo

Discografia:
Driven By Fate (2003, Independente)
Odin’s Court (EP, 2003, Independente)
Redriven By Fate (2006, Independente)
Deathanity (2008, Prog Rock Records)
Human Life In Motion (2011, ProgRock Records)
Appalachian Court (2012, ProgRock Records)
The Warmth Of Mediocrity (2013, ProgRock Records)
Turtles All The Way Down (2015, D2C)
Deathanity (R3) (2016, D2C)

Review: Game Of Sins (Axel Rudi Pell)

Game Of Sins (Axel Rudi Pell)
(2016, Steamhammer/SPV)
(6.0/6)

Em 2015 Magic Moments representava tudo o que Axel Rudi Pell tinha feito ao longo de uma longa carreira de 25 anos cheia de sucesso. Um ano antes, em 2014, o seu último trabalho de originais, Into The Storm, mostrava o guitarrista alemão numa forma excecional com um disco notável. Parecia difícil a sua superação, mas não foi preciso muito para isso acontecer. Logo a abrir 2016, Game Of Sins, 16º álbum de estúdio, aponta para ser o melhor disco da sua carreira e, apesar de ainda termos quase todo o ano pela frente e parecer ser uma frase muito forte e até extemporânea, a assumir-se, desde já, como um sério candidato ao disco do ano. Porque todo o heavy metal devia ser como é em Game Of Sins. Porque todas as músicas deviam ter a alma, o feeling e o poder como tem esta coleção de 11 temas. Não há um único filler neste disco. Não há um único momento menos interessante em nenhuma música. Não há nada em Game Of Sins que possa ser classificado menos que sensacional. A secção rítmica, que conta com Bobby Rondinelli desde 2013 está mais coesa e cirúrgica que nunca transmitindo a força necessária para segurar todo o brilhantismo das composições; a forma como Johnny Gioeli se entrega às vocalizações é do melhor que já foi feito; Pell dá uma autêntica lição de como tocar a sua guitarra, seja nos riffs ou nas harmonias, mas essencialmente nos solos hipertécnicos e supermelódicos; os teclados são subtis mas importantes na forma fantástica como criam atmosferas e ambientes e na forma como preenchem os espaços. É desnecessário particularizar algum tema. Game Of Sins vale pelo seu conjunto, num equilíbrio constante de grande qualidade. Um conjunto de músicos soberbos e uma coleção memorável de grandes canções resultam num disco que se antevê histórico para o heavy metal.

Tracklist:
1)   Lenta Fortuna (Intro)
2)   Fire
3)   Sons In The Night
4)   Game Of Sins
5)   Falling Star
6)   Lost In Love
7)   The King Of Fools
8)   Till The World Says Goodbye
9)   Breaking The Rules
10) Forever Free
11)  All Along The Watchtower (bonus)

Line-Up:
Johnny Gioeli - vocais
Axel Rudi Pell - guitarras
Ferdy Doernberg - teclados
Volker Krawczak - baixo
Bobby Rondinelli – bateria

Internet:
Website    
Facebook   

Edição: Steamhammer/SPV       

Flash-Review: What You've Got (SweetKiss Momma)


Álbum: What You’ve Got
Artista: SweetKissMomma   
Editora:  Independente
Ano: 2016
Origem:  EUA
Género:  Southern rock, blues rock
Classificação: 6.0/6
Breve descrição: What You’ve Got traz cinco novos temas dos sulistas de Seattle e traz, também, mais excelência na sua forma orgânica de criar canções ricamente ornamentadas com arranjos espetaculares e pormenores deliciosos. Face a tanta inspiração, para quando mais um longa-duração é a questão que se impõe.
Highlights: What You’ve Got, Hot Mess, Like You Mean It
Para fãs de: The Black Crowes, Lynyrd Skynyrd, Allman Brothers Band, Kings Of Leon, Wilco

Tracklist:
1.      What You’ve Got
2.      Hot Mess
3.      Rockwell
4.      What I Like About You
5.      Like You Mean It

Line-up:
Jeff Hamel – vocais, guitarras
Skyler Mehal - guitarras
Paul Beaudry - baixo
Ray Hayden - teclados
Kevin White - bateria

Com:
Jeff Moss – guitarras
Troy Moss – guitarras
Kevin Dale – baixo
Zach Cooper - bateria

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Notícias da semana

Os brasileiros Hibria têm um novo lyric video para a sua faixa Ashamed, retirada do seu mais recente álbum homónimo lançado em agosto de 2015 pela Test Your Metal Records.



Os prog rockers nova-iorquinos Consider The Source regressaram da sua tournée de duas semanas na India e trouxeram uma prenda para os seus fãs. A banda está a celebrar o seu décimo aniversário e disponibiliza de forma gratuita uma compilação que demonstra na perfeição o seu estilo de sci-fi Middle Eatern Fusion. Intitulada Past Is Prologue: 2005-2015, este lançamento consiste de temas de todos os álbuns de estúdio. Podem fazer o download aqui.


Existe um novo supergrupo na Suécia. Chama-se Allegiance Of Rock e consistem em Gus G (Ozzy, Firewind), nas guitarras; John Leven (Europe), no baixo; Anders Johansson (Hammerfall, Yngwie Malmsteen), na bateria e Mats Leven (Candlemass, Gus G), nos vocais. Esta parada de estrelas junta-se pela primeira vez no Stockholm Rocks Festival  a 7 de maio. A banda irá tocar temas do passado, do presente e do futuro do seu fundo de catálogo.


Os gothic metallers Inner Blast lançaram um lyric video para o tema Insane, o primeiro single a ser retirado do álbum de estreia dos lisboetas, Prophecy. Prophecy será lançado no dia 15 de Abril através da nacional Nordavind Records e as pré-encomendas podem ser efetuadas desde já.



Os Ménage lançam a 2 de março o novo vídeo do tema A Beautiful Disaster. Este será o segundo vídeo/single do álbum exclusivo em Portugal The Great American Lie lançado recentemente pela IPLAY Som e Imagem. Entretanto fica a informação que a banda virá de novo até Portugal em abril para mais alguns concertos.
Abril 8 - Capricho, Setúbal - com Um Corpo Estranho e Special Guest Celina da Piedade
Abril 9 - FNAC Coimbra
Abril 10 - FNAC Viseu
Abril 16 - Side B, Benavente




Os InnerWish acabam de lançar um lyric video para Needles In My Mind, tema retirado do seu próximo álbum homónimo a lançar a 18 de março pela Ulterium Records.




Já está disponível o novo single dos Colour Of Noise intitulado Can You Hear Me. Este tema foi extraído do álbum homónimo da banda britânica lançado a 4 de dezembro via Colour Of Noise/Townsendmusic. O vídeo pode ser visualizado aqui.



Em 2011 o mundo do rock perdeu um dos seus mais carismáticos vocalistas e compositores. Autor de hits como Cherry Pie, Down Boys, Sometimes She Cries, Uncle Tom’s Cabin ou a inesquecível balada Heaven, Jani Lane juntou-se aos Warrant em 1985 e juntos saltaram do circuito de clubes de LA para o sucesso internacional. Lane abandonou os Warrant em 2004 mas continuou a escrever e a gravar, muitas vezes prestando homenagem aos seus ídolos: Cheap Trick e Judas Priest. A Deadline Music disponibiliza agora Catch A Falling Star, uma colecção com algumas das suas soberbas visões de temas intemporais. Aqui temos versões de Doctor Doctor (UFO), Photograph (Def Leppard) ou Lay Your Hands On Me (Bon Jovi). Como convidados colaboram nesta parada de estrelas Ryan Roxie (Alice Cooper/Slash’s Snakepit), Jake E. Lee, Chris Holmes (W.A.S.P) e os seus colegas dos Warrant, Erik Turner e Jerry Dixon.


Depois do EP de estreia dos Soundscapism Inc. em formato digital, aí está o álbum em formato físico. O nome mantém-se, homónimo mas a editora responsável pelo longa-duração é a Ethereal Sound Works. A versão digital está disponível para audição no Bandcamp.

Review: Nothing Out Of Nothing (Slap Betty!)

Nothing Out Of Nothing (Slap Betty!)
(2016, Inverse Records)
(5.8/6)

O coletivo conhecido por ser a banda mais indisciplinada da sua cidade e por ter deixado os Backyard Babies sem eletricidade está de regresso com o seu segundo álbum. Falamos dos finlandeses Slap Betty, nome pouco apropriado para uma banda de hard rock sujo e decadente é certo. Mas, independentemente do nome, Nothing Out Of Nothing é um excelente disco. Energia, barulho, arrojo, provocação, decadência e atitude está tudo reunido nesta rodela frenética que vai desde o hard rock pesado dos Hardcore Superstar ao rock acústico e decadente dos Dogs D’Amour, passando pelo glam provocante de Mötley Crüe, pelos ritmos dos DAD e até pelas guitarras quebradas e compassadas dos AC/DC. Um álbum muito equilibrado por cima, com canções cheias de qualidade, ganchos melódicos que agarram, guitarras incendiárias a debitarem solos inflamados, secção rítmica sólida, vocais rasgados. A abertura com World We Leave Behind é dedicada ao ex-Primeiro Ministro finlandês e atual Ministro das Finanças, numa atitude que herdam do punk de por o dedo na ferida, da chamada de atenção. Daí para a frente é sempre a abrir, com exceção da superbalada Perfect e do fecho mais calmo e eletroacústico na forma de Shame. E sempre a abrir será, muito provavelmente, para a sua comparência em muitas listas dos melhores discos do género.

Tracklist:
1.      World We Leave Behind
2.      List Of The Things I Hate
3.      Bread Games
4.      27
5.      Perfect
6.      Piece Of Me
7.      Fill My Cup
8.      High Class Hooker
9.      Time To Get Wasted
10.  Shame

Line-Up:
Teemu – vocais e guitarras 
Juuso - bateria 
Juhana - guitarras 
Antti - baixo

Internet:
Facebook   

Edição: Inverse Records    

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Entrevista: Soundscapism Inc.

Bem-vindos aos Soundscapism Inc. o novo projeto de Bruno A., sobejamente conhecido pela criação dos Vertigo Steps e com passagens, eventualmente menos mediáticas mas não menos interessantes pelos Arcane Wisdom (que, como veremos, acabam por ter uma importante ligação a este novo projeto) e Ugarit. Numa nova fase da sua vida, a viver em Berlim e artisticamente mais orientado para as ambiências e para a fotografia, Bruno A. lançou o EP homónimo em 2015 ao qual já se seguiu o lançamento do álbum pela Ethereal Sound Works. O músico nacional falou-nos deste seu novo ciclo.

Olá, Bruno, tudo bem? Como vai a vida por Berlim?
Oi Pedro, tudo impecável, obrigado. Cá continuamos a tolerar o Inverno até dias mais solarengos, quentes e floridos aparecerem. Mas janeiro foi bem gelado e branco e é sempre um gosto aproveitar para caminhar entre as nevascas e sacar algumas fotos. Toda a sujidade urbana da cidade de alguma forma se camufla por entre o vasto manto branco, que lhe confere um ar etéreo e mágico.

O que te motivou a encetar esta mudança?
A vinda para aqui? Em 2009 ganhei cá um estágio como músico (na prática, como assistente de um artista canadiano de instalações multimédia interativas). Ainda nunca cá tinha vindo mas percebi logo que esta era a cidade onde queria estar. Já em 2012, acabei por voltar para ficar. Já tinha muitos anos de Lisboa e estava algo cansado das mentalidades e provincianismo. É um país com muita coisa bonita mas que não desenvolve, ainda muito fechado e chico-esperto – e eu já não tenho paciência para isso. Vais beber um copo e vês 3000 putos betinhos, todos iguais, vestidos quase igual aos pais. É assustador. Perguntas-te onde está a rebeldia e o individualismo? A tendência é para o carneirismo e isso é triste. E muita da malta mais criativa e de vistas mais largas acabou por sair do país, o que não ajuda propriamente. Ao mesmo tempo tens a bela ”cultura” suburbana do fato-treino e dias inteiros no shopping, só mauzões... Por outro lado, agora quando lá vou, já posso dar novamente valor ao que realmente gosto, como a cidade antiga e sua arquitetura e gentes, o rio, as praias e areais vastos, a comida, sol e a família e os amigos que restam. E de Verão desfrutar da natureza do Algarve, passear entre os laranjais da família no sotavento perdido ou mergulhar nas ondas imponentes da costa vicentina. Com isto não quero obviamente dizer que aqui tudo é perfeito, mas há simplesmente uma atmosfera mais moderna, despretensiosa e cultural. Um mergulho no lago, uma tour de bicicleta pelos parques, uma cerveja junto ao canal, uma noite num clube, um por do sol num telhado, concertos sem fim, festivais de cinema e arte... sempre algo desafiante a acontecer. Só neste mês ingrato, já tivemos a Transmediale e a Berlinale, fora o programa intenso normal. E com uma tolerância enorme à diferença.

Isto significa, portanto, que o ciclo Vertigo Steps se encerrou? Ou que apenas foi, temporariamente, interrompido?
Creio que está definitivamente encerrado, pelo menos nos tempos mais próximos. Não tenho planos de reativação. Mas não teve diretamente a ver com a minha vinda para cá, já que por ex. eu e o Niko (vocalista de VS) nunca vivemos no mesmo país. Ficam os álbuns, que continuam à venda.

E num novo ambiente físico e social nasce um novo projeto denominado Soundscapism Inc. De que forma este nome e a sua essência artística está relacionado com as ideias musicais que agora desenvolves?
Era o nome de um tema bónus de Arcane Wisdom, que fiz quando tinha 20 anos ou algo assim... E foi um conceito que sempre apreciei e desenvolvi. Interessam-me muito atmosferas, texturas, paisagens sonoras, ambiência. Se quiseres um exemplo curioso, até nos meus tempos mais black metal – em que muito pseudo trve se queixava de teclados e só queria a coisa pura, direta e seca – eu apreciava intensamente a atmosfera de um In The Nightside Eclipse, Enthrone Darkness Triumphant ou mesmo do Tales From a Thousand Lakes. Outro exemplo curioso? Como fã de longa data de Iron Maiden, os meus discos preferidos foram sempre a fase “progressiva” do Somewhere In Time/Seventh Son. Sim, o Steve Harris tinha uma aptidão algo cheesy para linhas básicas de uma nota de synth a seguir a melodia principal, mas mesmo assim há uma magia que vem das teclas nesses álbuns (vem-me à memória um Infinite Dreams...). Pessoalmente, gosto de usar a guitarra de forma atmosférica, mais típico de bandas de ambient/post-rock, com efeitos e layers. E também de empregar teclados com sons vintage ou ambientais. Tudo o que se justifique e que o tema me peça.

Música para os sentidos, como já foi descrito, certo?
Sim, é uma descrição possível, ainda que mais conceptual do que propriamente específica. O que acaba por fazer jus à sonoridade. Um som muito atmosférico e espiritual mas simultaneamente bastante catchy e memorável.

Mas porque essa tua opção de enveredares por algo mais intimista e ambiental? Quero dizer, foi a tua ida para Berlim que motivou este movimento, ou foste para Berlim porque procuravas fazer algo diferente?
Não creio que isso tenha muito a ver com a vinda para Berlim. Eu já em Vertigo Steps fazia música extremamente atmosférica e os planos que tinha para o futuro até iam na linha de um EP acústico. São simplesmente os meus gostos e a direção para a qual a minha composição atual mais se orienta. Ao mesmo tempo permitiu-me explorar mais intensamente a forte vertente (de guitarra) acústica que sempre tive e também a parte mais electrónica, que me agrada e continuarei a utilizar.

Visualmente continuas ligado ao João Filipe, que já era responsável por esta área nos VS…
Exato. Gosto do muito do seu trabalho, contactá-lo foi o procedimento natural e o resultado está mais uma vez à vista. Além disso, é um amigo próximo e era das poucas pessoas a estar a par do som de S. Inc, desde o início.

Neste teu primeiro EP, assumes a quase totalidade dos instrumentos. Foi uma opção tua?
Foi a opção natural, já que isto é basicamente um projeto a solo, e faço tudo aqui no meu home-studio. E quis propositadamente manter tudo muito direto e sempre que possível primeiro-take. Sem grande artifícios ou sobreprodução, de forma a chegar de forma honesta diretamente ao ouvinte. De coisas plásticas e artificiais estão os ouvintes fartos.

Para além disso contas com um par de convidados. Como surgem eles neste projeto?
Contei com a Shara Laya para 3 seções de violino e o Aki Heikinheimo para contrabaixo num tema – ela violinista de formação clássica e ele baixista/produtor finlandês e um bom amigo. E, já mais recentemente, o Flávio Silva, que vocalizou 2 temas e ainda tocou trompete e percussão num desses. Tudo colaborações que enriqueceram o produto final e que me permitiram desafiar-me também enquanto produtor – a possibilidade de trabalhar com alguns instrumentos novos. Tenho naturalmente de destacar aqui o trabalho do Flávio, que com a sua voz alterou consideravelmente dois temas, conferindo-lhes uma dimensão adicional, muito forte e emotiva. Foi um prazer trabalharmos juntos após estes anos todos!

Alone In Every Crowd foi a escolha para primeiro vídeo. Porque essa opção?
Vários temas funcionariam; esse é um dos mais despidos e emocionais e resulta extremamente bem em conjugação com as imagens. É um tema bastante profundo e melancólico, muito pessoal, e com um título que penso dizer só por si muito. Neste tema, dei azo a uma maravilhosa guitarra que adquiri pouco antes. Foi todo ele construído à base de guitarra elétrica, excetuando o outro final e uma ambiência de teclado. E esse tal outro muito dreamy e de que também gosto muito, acaba por funcionar bem como encerramento do álbum.

E também surge da tua paixão pela imagem, daí o teu fotoblog Überlin…
Sim, desde que vim para cá que me deixei apaixonar pela fotografia e começar a fazer alguma, editar, etc. Daí surgiu também o fotoblog, ao aperceber-me de que havia gente com bastante interesse no meu trabalho. Já fiz também algumas impressões, a pedido especial. Gosto de fotografar o momento, a ocasião. E é uma fotografia também ela muito moody e ambiental, penso que adequada a uma certa vertente da cidade. E, claro, sempre ligada à música e sons.

Este EP está apenas disponível em formato digital?
O EP sim, estava, mas o álbum foi agora editado a 19/2 pela Ethereal Sound Works. Já tenho cópias comigo e ficou um produto bem interessante.

E para o novo ano, que projetos estão previstos para os Soundscapism Inc.?
Sem dúvida que irei continuar a compor e gravar. Eventualmente continuar a colaborar com outros músicos. Vamos ver o que daí sairá.

Mais uma vez obrigado Bruno. Queres acrescentar mais alguma coisa?
Obrigado pelo interesse e pelo apoio e rotação a este projeto (e antes a Vertigo Steps) e continuação de sucesso futuro para a Via! Aos ouvintes, que nos sigam – ou venham conhecer - pela página oficial de Facebook, Youtube e Bandcamp. Já é possível encomendar o álbum por email. Soundscapism Inc. tem uma sonoridade que tanto agradará a antigos seguidores de Vertigo Steps, como a muita outra gente que se tem manifestado, com gostos muitos distintos, simplesmente interessada em música emotiva, melódica e profunda – que os faça viajar. E para os interessados em imagem, dêem um pulo ao fotoblog Ü-Berlin. Cumprimentos a todos e bem-haja!