segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Entrevista: Syreregn


Há discos para os quais ninguém olha e são autênticas pérolas. OCD dos Syreregn é um desses casos. Em 2009, sem nenhuma editora que apostasse no coletivo dinamarquês, a banda lançou o álbum num CD limitado a 1000 cópias. Felizmente passados alguns anos, alguém (a Kozmik Artifactz) reparou neste fenomenal disco, e promoveu a sua reedição em vinil, como o trio sempre quis lançar. Confiram tudo isto nesta curta conversa com Thor Boding.

Viva Thor! OCD foi a vossa estreia lançada há 7 anos. Porque decidiram relançá-lo agora?
Bem, naquela altura não tínhamos editora nem dinheiro para lançar o álbum em vinil por nós mesmos, por isso quando tivemos a oportunidade de o fazer com a Kozmik nem questionamos. Sempre foi essa a intenção.

Quando tiveram essa ideia? Desde então, quais foram os vossos procedimentos?
No início, por volta de 2009, queríamos fazê-lo em vinil, mas nenhuma editora assinou por nós por isso só fizemos um CD - 1000 cópias.

O álbum foi totalmente remasterizado?
Sim, foi remasterizado pelo produtor americano, TJ Lipple, que também fez a masterização do nosso último lançamento, Skabt Værk BESTAR.

Este relançamento é apenas em vinil? Ou haverá, também, disponível uma versão em CD?
Somente em vinil, e nem tenho a certeza se iremos fazer um re-run, quando este lote esgotar!

Quando é que a Kozmik Artifactz aparece no vosso caminho?
Entramos em contacto com a Kozmik em 2014, quando fizemos o nosso segundo álbum de estúdio, Skabt Værk BESTAR. Fizeram a primeira prensagem da qual nos sentimos muito felizes.

Podes falar um pouco da faixa escondida em OCD. Qual era a vossa intenção?
Essa faixa escondida não está neste registo físico - só apareceu no CD em 2009. Se as pessoas querem em vinil, esta faixa não está lá como bónus, no lado-B do meu álbum a solo: Sange Fra Den DAB-Dode zone (faixas do rádio Dead Zone).

Naquela altura, este disco foi lançado como um trio. A banda agora é um pouco diferente. Quem está agora nos Syreregn?
Tivemos um outro guitarrista, Casper, que trabalhou connosco no Skabt Værk. Jakob, que toca no OCD sofre de uma doença mental muito desagradável e não pode tocar connosco durante alguns anos. Felizmente, está a ficar muito melhor e agora está de volta à banda! A formação agora é: eu (Thor Boding), baixo e vocais, Rasmus Kurdahl, bateria e Jakob Møller, guitarra e backing vocals. Com as nossas raízes no blues, muitas vezes temos músicos convidados para tocar connosco. Muitas vezes podes encontrar Mads Tamborg no saxofone, MC Skov em songos e Dr. Space (Oeresund Space Collective) nos sintetizadores e outros sons.

Falando agora do futuro, há projetos para um novo álbum com material original?
Sim, estamos a escrever novo material, mas não queremos forçar a sua saída e provavelmente iremos entrar em estúdio na próxima primavera (2017) com um lançamento cerca de um ano a partir de agora; mas nunca se sabe...

Muito obrigado, Thor! Queres acrescentar mais alguma coisa?
Obrigado pelo teu tempo a ouvir OCD e está à vontade para analisares Skabt Værk BESTAR!

domingo, 30 de outubro de 2016

Flash-Review: Un(Locked) (PhaZer)

Álbum: Un(Locked)
Artista: Phazer  
Editora: Raging Planet/Ethereal Sound Works       
Ano: 2016
Origem:  Portugal
Género:  Rock, Metal, Modern Metal
Classificação: 4.5/6
Breve descrição: Ao quarto disco e com uma secção rítmica renovada, os PhaZer continuam o coerente percurso que os têm trazido desde o hard rock até um metal endurecido e enfurecido de cariz contemporâneo. Por isso Un(Locked) é um disco de fortes guitarras e demolidora secção rítmica. Um passo em frente na negritude dos temas e na força intrínseca, embora a musicalidade acabe por ser algo preterida.
Highlights: The Blind King, King Shit, Mystic Land, Zygote
Para fãs de: Skillet, Black Veil Brides, Papa Roach, Avenged Sevenfold, Miss Lava, More Than A Thousand

Tracklist:
1.      Gone
2.      The Last Warrior
3.      The Blind King
4.      Dance In The Fire
5.      King Shit
6.      Hold Me
7.      Sun Of Glory
8.      Wake Up To Die
9.      No Remedy
10.  Mystic Land
11.  Drifter
12.  Zygote
13.  Mr. Frae
14.  Locked Inside

Line-up:
Paulo Miranda – vocais
Gil Neto – guitarras
Carlos Falé – baixo
Nuno Cruz – bateria

Flash-Review: Marvel Lima (Marvel Lima)

Álbum: Marvel Lima
Artista: Marvel Lima   
Editora: Pontiaq     
Ano: 2016
Origem:  Portugal
Género:  Psyche Rock, Alternative Rock, Latin
Classificação: 4.9/6
Breve descrição: Do Alentejo interior, bem junto com Espanha, os Marvel Lima surgem com o seu álbum de estreia marcado por uma interessante mistura de rock psicadélico, alternativo, funk e música latino-americana. Bastante agradável, este trabalho homónimo precisa de várias audições para se conseguir captar toda a essência da musicalidade presente em diversas camadas.
Highlights: Primavera, Demência, Niebla, Stranger Perceptions
Para fãs de: Santana, Pedro Abrunhosa, The Beatles, Compay Segundo, Buena Vista Social Club

Tracklist:
1.      Mariposa
2.      Mi Vida
3.      Primavera
4.      Demência
5.      Niebla
6.      Amarrado
7.      Fever
8.      Strange Perceptions
9.      Finale

Line-up:
José Penacho – vocais e guitarras
Diogo Vargas - teclados
Luís Estanque - baixo
Diogo Marques - bateria
João Romão - percussão

Flash-Review: Focus 8.5/Beyond The Horizon (Focus)

Álbum: Focus 8.5/Beyond The Horizon
Artista: Focus   
Editora: In And Out Focus Records
Ano: 2016
Origem:  Holanda
Género:  Prog Rock, Jazz/Fusão
Classificação: 4.7/6
Breve descrição: Um dos nomes mais importantes do prog rock são os holandeses Focus e a prova que a banda simplesmente faz o que lhes dá na real gana está aqui. Aproveitando a sua tour pela América do Sul, nomeadamente no Brasil, o quarteto juntou-se em estúdio com uma série de grandes nomes da música brasileira (MPB e jazz, principalmente) e criaram este disco onde o aroma e ritmos da música brasileira adornam o prog rock e o jazz/fusão dos holandeses. Um conjunto de canções sem regras nem barreiras, seguindo apenas o feeling e a improvisação do momento.
Highlights: Focus Zero, Hola, Como Estás?, Rock 5, Millenium
Para fãs de: King Crimson, Milton Nascimento, Nektar, E. L. P., Jethro Tull, Tom Jobim,

Tracklist:
1.      Focus Zero
2.      Hola, Como Estás?
3.      Rock 5
4.      Millennium
5.      Înaltã
6.      Talking Rhythms
7.      Surrexit Christus

Músicos:
Thjis van Leer – flautas, piano, hammond
Pierre van der Linden – batería
Bobby Jacobs, Arthur Maia, Rogério Fernandes – baixo
Sérgio Chiavazzoli – guitarras
Marvio Ciribelli – teclados, piano, rhodes
Marco Lott, Thaís Motta, Mylena Ciribelli – vocais
Márcio Bahia – batera, percussões, vocais
Jan Dumée – guitarras, vocais, hammond, piano
Marcela Martins, David Ganc, Mário Sève – flauta
Amaro Júnior – bateria, percussões
Flávio Santos – percussões
Fabiano Segalote – trombone

sábado, 29 de outubro de 2016

Review: Matter Of Faith (Soul Seller)

Matter Of Faith (Soul Seller)
(2016, Tanzan Music)
(5.2/6)

A principal notícia no reino dos Soul Seller, quando comparado com a estreia que aconteceu há cinco anos, é a mudança de formação em metade do coletivo. Assim renovados, os italianos regressam com Matter Of Faith, em bom estilo com um hard rock, por vezes em registo eletroacústico, que tanto toca no clássico como vai ao moderno, chegando a roçar o metal, aproximando-se assim do que fazem uns Hard Riot, por exemplo. A mudança de membros trouxe também a exploração de alguns elementos novos na música dos Soul Seller como a inclusão de alguns fugazes apontamentos progressivos. A vertente melódica continua bem presente e é mais notória em Memories, Echos From A Distante Future (muito bons apontamentos de piano aqui) ou Alchemy. O final de Matter Of Faith é, no entanto, menos interessante que, digamos, os primeiros três quartos do disco, sendo uma zona mais modernizada, com mais força nos riffs, mas, também, com menor capacidade apelativa. Ainda assim, Matter Of Faith é um álbum sólido e competente, com uma sonoridade límpida e transversal a várias épocas, o que poderá agradar a diferentes públicos.

Tracklist:
01 NEVERENDING
02 GIVEN TO LIVE
03 TIDE IS DOWN
04 MEMORIES
05 GET STRONGER
06 ECHOES FROM A DISTANT FUTURE
07 GET AWAY FROM THE LIGHT
08 ALCHEMY
09 WIPE YOUR TEARS AWAY
10 MATTER OF FAITH 
11 STRANGERS APART
12 MADE OF STONE

Line-Up:
Eric Concas - vocais
Cris Audisio - guitarras
Dave Zublena – guitarras 
Mike Zublena - baixo
Simone Morandotti – teclados e programações
Italo Graziana – bateria

Internet:
Website   
Facebook           
Youtube            

Edição: Tanzan Music   

Notícias da semana

Três artistas da Universal Music têm novos álbuns e novos vídeos a circular. Falamos de Rodrigo Leão & Scott Matthew, cujo álbum Life Is Long já foi lançado e entrou directamente para o primeiro lugar do iTunes. Deste álbum, e depois do vídeo do tema That’s Life, está disponível um segundo vídeo para o tema-título. Até Pensei Que Fosse Minha é o novo disco de António Zambujo onde o músico interpreta temas clássicos da carreira de Chico Buarque, que também participa, assim como Roberta Sá e Carminho. Injuriado é o primeiro vídeo. Finalmente, o regresso de Rita Redshoes de cujo novo trabalho intitulado Her, já estreou o primeiro vídeo para o tema Life Is Huge.


Contagious é o novo álbum de Steve Overland, conhecido vocalista dos FM, e já está nas lojas numa edição Escape Music. Desse trabalho foi retirado o vídeo do tema Edge Of The Universe.





Ainda New World está quente e os The Raptor Trail já aí estão com um novo álbum de prog rock melódico. Devil On An Indian é um álbum conceptual que lida com os conflitos internos e espirituais de um jovem que traz a herança nativa índia americana após ter crescido




Os classic rockers britânicos Colour Of Noise lançaram um novo vídeo para o single Medicine Man, tema retirado do seu álbum homónimo de estreia.






O primeiro avanço em formato vídeo do novo álbum dos Heretic’s Dream, Floating State Of Mind, chama-se My Epiphany e pode ser visto aqui. O álbum do coletivo de rock/metal progessivo italiano foi lançado no início deste ano. Entretanto, a banda foi confirmada como suporte dos Delain para dois shows em S. Petersburgo em janeiro de 2017.


Os Darkyra (anteriormente conhecidos como Darkyra Black) assinaram pela Sliptrick Records para a reedição do seu álbum Fool.


Os Pitch Black Process assinaram com a EMP Underground/EMP Label Group, editora de Dave Ellefson para o lançamento do seu novo álbum Derin, a lançar digitalmente em 3 de dezembro. O vídeo Halil İbrahim Sofrası foi, entretanto, avançado pelo coletivo turco.




A banda italiana de metal progressivo Virtual Symmetry apresentou um vídeo para a sua versão de Gabriel’s Oboe, tema de Ennio Morricone, com arranjos para guitarra e teclados. O mais recente álbum dos mestres italianos chama-se Message From Eternity e foi lançado no final de fevereiro.



Num exclusivo da PledgeMusic,  pela primeira um DVD apresenta o emblemático filme Phantom Of The Opera, de Lon Chaney com a sua banda sonora executada por Rick Wakeman. A edição é limitada numa caixa assinada e numerada. O DVD vem, ainda, com material bónus como um documentário de Rick Wakeman ou uma introdução a cargo de Christopher Lee. A data de lançamento será a 2 de dezembro, com exceção da versão em vinil que apenas acontecerá em janeiro de 2017.


That’s How It Is é o novo vídeo dos Neon Alley, power trio rockeiro de Boston. Este vídeo foi retirado do seu álbum homónimo de estreia lançado pela DMV Music. Realizado por Vladimir Minuty, este vídeo mostra uma das várias interpretações possíveis para o tema.


Os Velhos largam o último vídeo para apresentação do novo disco, que será lançado a 17 de novembro no Musicbox, em Lisboa. A música chama-se Manso e sucede a Aberta Nova e Estrada Branca. O filme foi feito pelo Tiago Brito e por David Caetano nas Chagas. Antes do lançamento, a 7 de Novembro, o álbum estará disponível para escuta nas plataformas digitais. Este disco dos Velhos serve também para pôr um ponto final na editora Amor Fúria, sendo editado pela FlorCaveira.


O Laughbanging é um projecto de dois humoristas e metaleiros (Gustavo Vieira e Paulo Rodrigues) onde criam textos, sketches e entrevistas juntando o humor com o heavy metal. O Laughbanging, além de blog e página de Facebook, criou em janeiro de 2016 um podcast. É uma emissão semanal onde os dois criadores do projecto conversam de uma forma descontraída e humorística sobre o mundo do heavy metal. O podcast pode ser ouvido em vários plataformas como iTunes, Mixcloud, Youtube e Archive.org.

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Entrevista: Narnia

Os leões rugem de novo! Assim termina a entrevista que o vocalista Christian Liljegren nos deu a respeito do regresso dos Narnia. O fundador da banda sueca sentiu necessidade de sair em 2008 e desde essa altura os fãs da banda têm sentido necessidade de os ter por cá. Finalmente isso aconteceu.

Olá Christian! Finalmente os Narnia de regresso aos álbuns... Como se sentem?
Obrigado, Pedro! É ótimo estar de volta. Na minha opinião, este é o melhor álbum da nossa carreira. Nunca soamos, tocamos e cantamos tão bem. Com este álbum queremos mostrar ao mundo que somos uma banda de metal melódico de topo!

Naturalmente, durante este período de ausência, estiveste ativo. O que fizeste?
Tenho vindo a fazer coisas diferentes, mas a maior parte do tempo estive com a minha família e fiz alguns estudos na universidade e trabalho como vocal coach. Fiz alguns álbuns com Audiovision e Golden Resurrection, embora não tenha andado em tournée como fiz com os Narnia.

Quando e como surgiu a ideia de fazer renascer os Narnia?
Ambos sentimos que o último capítulo de Narnia não estava escrito. É claro que, durante o período em que Narnia esteve congelado, tanto eu como CJ Grimmark recebemos muitos pedidos de fãs que desejavam que voltássemos. Ambos estávamos ocupados com outras bandas/projetos. No final de 2013, CJ ligou-me e disse “Christian, devemos tentar trazer os Narnia de regresso à estrada?” Eu estava certo de que se voltasse como Narnia queria o som clássico pelo qual eramos conhecidos. Melódico, poderoso, metal melódico bombástico com elementos neoclássicos. Chamamos os outros elementos, eles vieram e, em 2014, anunciamos no nosso novo facebook que Narnia The Band estava de volta. Acho que nós dois entendemos que Narnia resulta de um trabalho de equipa na escrita, entre mim e CJ Grimmark que faz com que o som Narnia tenha uma marca especial. Ambos sentimos que o último capítulo ainda não tinha sido escrito e quando decidimos continuar prometemos a nós próprios fazer o melhor álbum de sempre. Como dissemos uns aos outros que não iríamos lançar o álbum sem termos um killer album sem fillers, demorou dois anos até termos isso pronto. E, na minha opinião, temos este álbum de metal com músicas e produção muito boas e podes ouvir a alegria, paixão, coração e fogo neste álbum.

E, desde essa altura, quais foram os vossos procedimentos?
Levamo-lo passo a passo e trabalhamos em cada detalhe com cuidado para que tudo funcionasse bem durante todo o percurso.

Um álbum homónimo dá, precisamente, a ideia de um renascimento. É assim que se sentem atualmente?
Sim, estamos muito satisfeitos como tudo acabou e de termos o controle de tudo.

Renascidos e rejuvenescidos?
Como já disse, sentimos que o último capítulo ainda não estava escrito. Quando saí, precisava de uma pausa, porque a máquina Narnia precisa de muito trabalho para a manter.

Falando de Narnia - o álbum – regressam às vossas origens, mas com um som atualizado. Era o que procuravam?
Queríamos criar algo onde o som do passado se encontrasse com um som novo e fresco, com uma produção de 2016. Acho que os nossos três singles/vídeos, Reaching For The Top, Messenger e I Still Believe, mostram isso.

Como tem sido a receção por parte dos fãs antigos e também dos mais jovens?
Fantástica. Adoram o som, os nossos espetáculos ao vivo, a intensidade e chegámos a novos e antigos fãs com este álbum.

E agora? Os Narnia regressaram para ficar?
Sim, o nosso objetivo é continuar como queremos. Sem stresses, sem pressas, mas estamos ansiosos por novos álbuns e tournées.

Muito obrigado, Christian! Queres acrescentar mais alguma coisa?
Muito obrigado pelo teu apoio. Para apoiar a nossa música, por favor, promotores agendem Narnia para Portugal porque queremos rockar convosco aí. O leão ruge novamente!