terça-feira, 19 de setembro de 2017

Review: Many Years Ago (Avi Rosenfeld & Marco Buono)

Many Years Ago (Avi Roselfeld & Marco Buono)
(2017, Independente)
(5.8/6)

Avi Rosenfeld continua a surpreender pela sua capacidade de lançar álbuns atrás de álbuns. Ora dentro do espectro hard rock ora variando e sendo mais soft, numa vertente rock, o israelita tem conseguido criar canções muito boas. Por norma não foge muito dos seus registos (dentro de um ou de outro género), e também não sai muito fora da sua zona de conforto. Certamente os seus fãs sabem isso e não se devem importar pois Avi consegue criar boas músicas, de audição acessível e com um elevado nível no que ao aspeto técnico diz respeito. Many Years Ago, 32º álbum da carreira, introduz, no entanto, uma novidade – o disco aparece assinado em coautoria entre Avi e Marco Buono, vocalista germânico que canta em todas as canções. Desde logo, verifica-se aqui uma evolução ao nível vocal, ultrapassando-se algumas das limitações da voz do israelita e por outro lado, consegue-se a manutenção de um equilíbrio entre todos os temas. Musicalmente, as 10 canções de Many Years Ago, variam entre algo bem dentro do rock bem eletrificado – Mister Jones, Strange Love ou The Kids Are Driving Me Out Of My Mind – e um conjunto de registos em base acústica e/ou eletroacústica. Dentro deste segundo conjunto, as referências abraçam nomes como The Beatles, The Moody Blues ou Barclay James Harvest e são temas particularmente bem construídos, com agradáveis linhas melódicas e com a inclusão de uma série de atrativos. São exemplos o solo de saxofone de Beautiful Like A Rocket Queen, os arranjos de piano e baixo e solo deste no tema título, o ar tropical de At First Sight com um magistral solo de saxofone, numa linha Sting, os elementos éticos de Precious Life ou a emotividade saliente de Light Of The Moon. Depois há curiosas e inteligentes misturas como em Momma Come - algo entre a alma gypsy, dedilhados acústicos, pianos minimalistas e marcha soft; em Mister Jones, com a inclusão de elementos funk no já citado cenário rock e em Strange Love com o blues, o jazz e os mariachis a cruzarem-se de forma a criar um momento de sublime beleza. Beleza, grande capacidade para criar canções e músicos (mais uma vez de todo o mundo) com grande destreza técnica para as executarem, tudo a contribuir para mais um disco de enorme qualidade do criativo israelita.

Tracklist:
1.      Beautiful Like A Rocket Queen
2.      Many Years Ago
3.      At First Sight
4.      Mister Jones
5.      Mamma Come
6.      Took It
7.      Strange Love
8.      Light Of The Moon
9.      The Kids Are Driving Me Out Of My Mind
10.  Precious Life

Line-up:
Avi Rosenfeld – guitarra acústica
Marco Buono – vocais
Rock Milady Noemi, Max Novoselsky, Neil Schmidt, Emilio Espejo – guitarra elétrica
Dylan Buterbaugh, Andrew Boucher, Eli Barrett, BF Project, Alex Zulaika, Harald Kay, Dustin Woodward, Raul Rodriguez, Richard Dellow, Tommaso Monopili – bateria
Jon Garcia, Donnie Bass, Daniel Swain, Guido Hill, Anton Wannamakers – baixo
George Schiessl – baixo e órgão
Jan Kopcak, Tim Dobson – saxophone
Gabro Jazz – piano
Nick Foley, Salvo D’Addeo, Ian Rutherford – Hammond
Yvan Nunez, Clayton Chiesa – Rhodes
Dave Lee - trompete

Internet:
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Website   
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Youtube   

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Review: War Is Hell (Category VI)

War Is Hell (Category VI)
(2017, Killer Metal Records)
(5.2/6)

Como forma de começar, poderemos afirmar que o segundo álbum dos Category VI, War Is Hell, é a continuação lógica da sua estreia, Fireborn, lançada em formato físico em 2014 e digitalmente um ano antes. E o seu género é facilmente identificável como sendo uma potente mistura de heavy metal clássico, power metal e até thrash metal, com referências a nomes como Megadeth, Judas Priest ou Iron Maiden. Strike The Axe, tema de abertura deixa isso logo ali bem claro e se dúvidas existissem, o conjunto de temas seguintes nem dá tempo ao ouvinte de respirar. Uma bateria demolidora e clinica e uma voz poderosa (por vezes lembra a nossa Sandra Oliveira, embora com menos capacidade de colocação como se perceberá no épico War Is Hell) são embrulhadas por uma guitarra muito orientada para riffs e com uma distorção algo estranha e até nem tão poderosa como o resto do instrumental deixaria supor. Todavia, em momento algum War Is Hell se consegue transformar numa obra fundamental, essencialmente devido à falta de diversidade. E o tal épico já referenciado, tema final que batiza o álbum, acaba por ter um registo diferente depois de sete temas sempre a projetar aquela linha de metal potente. Mais tranquilo, mais aberto, mais exploratório de outros elementos, War Is Hell, começa com narrações/spoken word, desenvolve-se dando origem a mais cavalgadas, para depois voltar a acalmar. Infelizmente é também neste tema onde mais notórias são as dificuldades de Amanda Marie Gosse. Não sendo brilhante, War Is Hell tem, no entanto, tudo que o mais acérrimo fã de metal procura: rifalhada, solos, tradição e atitude.

Tracklist:
1.     Strike Of The Axe
2.     The Traveller/The Dark Warrior
3.     Mirror
4.     Full Metal Jacket
5.     Crossing The Avalon
6.     Arise
7.     Out Of Time
8.     War Is Hell

Line-up:
Amanda Marie Gosse – vocais
Geoff Waye – guitarras
Keith Jackman – baixo
John Angelopoulos – bateria

Internet:
Website    
Facebook    

domingo, 17 de setembro de 2017

Flash-Review: Second Reality (ELA)

Álbum: Second Reality
Artista: ELA   
Edição: Massacre Records   
Ano: 2017
Origem: Alemanha
Género: Heavy Metal, Power Metal, Female Fronted Metal
Classificação: 4.6/6
Análise:
Os vocais poderosos de Michaela “ELA” Eichhorn lideram uma abordagem pouco ortodoxa a um power metal melódico. Pouco ortodoxa no sentido de não ser muito frequente no género a entrada por campos onde a velocidade e as densas paredes sonoras são quase inexistentes. Second Reality opta por apresentar maior complexidade estrutural, tendo como resultado um álbum pouco easy-listening e, a maioria das vezes, algo confuso e pouco esclarecido.
Highlights: Black Rose, Warcraft, Lizzy Borden’s Rhyme, Deadly Sins, Psycho Path
Para fãs de: Edguy, Avantasia, Firewind, Pretty Maids, Edenbridge

Tracklist:
1. Alchemy
2. Comatose
3. House Of Lords
4. Revenge
5. Black Roses
6. Deadly Sins
7. Witch Of Salem
8. Psycho Path
9. Varus
10. Warcraft
11. Welcome To Zombieland
12. Lizzy Borden’s Rhyme

Line-up:
ELA – vocais
Ralf Stoney – guitarras
Chris Kolb – baixo
Micha Kasper - bateria

sábado, 16 de setembro de 2017

Notícias da semana

Depois de cinco anos de silêncio, os Serenade regressam com um novo e explosivo álbum no outono deste ano e numa edição a cargo da Revalve Records. Este novo trabalho chama-se Onirica e ao som metálico são adicionadas componentes sinfónicas e atmosferas góticas.



O duo conhecido como The Picturebooks, praticante de um blues rock primitivo, apresenta o seu novo vídeo oficial para o tema Zero Fucks Given. Este vídeo foi filmado e editado por Claus Grabke



1755 marca o ano do terrível terramoto que devastou a cidade de Lisboa. 2017, no entanto, assinala o lançamento do novo álbum de originais dos Moonspell, totalmente cantado em português e dedicado a este fatídico evento. O 13.º trabalho de estúdio da banda chega a 3 novembro. Recentemente os Moonspell desvendaram um pouco do que se poderá esperar em 1755 com um pequeno excerto do tema Todos os Santos que ganha agora um lyric vídeo oficial, num lançamento a nível mundial.


A Bilocation/Kozmik Artifactz acaba de assinar com os australianos The Ugly Kings, para o lançamento da sua estreia em formato longa-duração no inicio de 2018, sucessor do mini-álbum, Of Sins. A banda fez de suporte dos Airbourne durante a sua tour australiana e com boas críticas.


Os SweetKiss Momma, descritos como roots e southern rock e que mistura a improvisação dos anos 60/70 com os inícios do metal dos anos 80, está de regresso. Com três lançamentos, múltiplas vindas à Europa e tours em torno dos EUA, a banda ganhou uma notável legião de fãs. Get Ready For The Getdown é o novo trabalho, onde já foi retirado o vídeo do tema Old Dry Bones.


Mais uma banda francesa a assinar pela Massacre Records. Desta feita, foi a vez dos Eternal Flight, coletivo praticante de prog power metal. Depois de três álbuns de estúdio, Retrofuture é o primeiro trabalho para a editora germânica e sai no inverno.



Os Nervcast, banda de Toronto, irá lançar a sua estreia em formato EP denominada Loacked And Loaded a 21 de outubro. Em associação com a Metal-Rules.com, o coletivo estreou o primeiro vídeo para o tema Fallen Angels.



Na sequência da grande resposta que Rises (Sliptrick Records, 2016) teve, e de uma série de grandes apresentações na Eslovénia e na Itália, os Tytus estão de regresso aos seus Track Terminal Studio para gravar novo material. As novas dez canções a apresentar num futuro álbum irão estar entre a NWOBHM e o speed/thrash dos primórdios.


A New Safe Path é o primeiro videoclip oficial da banda de metal progressivo com vocais femininos Onydia, o novo projeto nascido dos ex-músicos dos Elarmir. Este tema é um prelúdio do álbum de estreia a ser lançado em breve pela Revalve Records.


Metalite é o nome de uma nova banda sueca que se estreia para a Inner Wound Recordings. O álbum Heroes In Time sai a 27 de outubro e o single de avanço, Afterlife, já está disponível. Heroes In Time tem produção de Jacob Hansen e a capa esteve a cargo de Jan Yrlund. Também a 27 de outubro sai o novo álbum dos Angel Nation intitulado Aeon, do qual já foi retirado o primeiro single/vídeo Burn The Witch.


Fundados em 1990 por Carlos Santos, os mYoj (Melancholic Youth Of Jesus) alcançaram um estatuto de banda de culto no circuito underground Europeu. Ao longo dos anos a banda tem vindo a reinventar a sua matriz sonora, cujas raízes derivam do rock intemporal dos Velvet UndergroundNew York Dolls e The Stooges, a aura bucólica de Manchester e Liverpool patente nas canções dos New Order e Echo & The Bunnymen, e o muro de som do excêntrico Phil Spector. A banda encontra-se, atualmente, em processo de renascimento com as entradas de Miguel Lopo (Guitarra), João leitão (Baixo) e Pedro Almeida (Bateria), que em conjunto com Carlos Santos (Voz/Guitarras), procuram canções intemporais e imunes a modas, e que falam intimamente com os ouvintes - individualmente. Dia 5 de Outubro, os The Melancholic Youth Of Jesus irão dar um concerto no Hard Club (Sala 2), o que assinala um regresso ao Porto.


Sorrow é o segundo single do novo álbum de GrandFather's House, Diving, que foi editado ontem. Este segundo single, assim como o primeiro You Got Nothing To Lose, conta com videoclip produzido e realizado pelos leirienses CASOTA Collective, responsáveis por alguns dos melhores telediscos feitos em Portugal nos últimos tempos.


Os suecos Grand Royale associaram-se à PureGrainAudio.com para disponibilizarem o seu novo vídeo Know It All. Este tema faz parte do mais recente disco da banda, Breaking News, produzido por Nicke Andersson.




O objetivo dos Audiorehab é trazer para os nossos dias tudo o que de grandioso a música do passado teve. E o seu álbum de estreia, planeado para o final deste ano e intitulado Old School Medicine, irá certamente atingir tal desiderato, pelo menos a atender pela primeira amostra – o tema Keep Me Coming.

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Entrevista: The Riven

Pelos vistos o barulho do seu heavy rock chateou os londrinos de tal forma que o coletivo conhecido como The Riven acaba de se mudar para a Gotemburgo. Numa altura em que a banda já prepara o seu primeiro-longa duração, Arnau Diaz, guitarrista do quarteto, fala-nos de Blackbird o seu primeiro EP que tão boas críticas tem recebido.

Olá Arnau, como estas? Quem são os The Riven? Podes apresentar a banda aos rockers portugueses?
Olá pessoal! Vamos bem, obrigado pela entrevista! Boa pergunta... Os The Riven são uma banda de Heavy Rock viciada em molho quente e cerveja barata. Fomos expulsos de Londres por fazermos muito barulho e acabamos de nos mudar para Gotemburgo.

O que vos motivou a criar os The Riven?
Vivíamos todos na mesma casa em Londres e depois de algumas noites a beber cerveja e a ouvir música, decidimos começar uma banda. Basicamente para ter uma desculpa para continuar a beber juntos.

Qual é o vosso background musical?
Todos começamos a tocar em bandas quando éramos muito jovens e acabamos de fazer o mesmo! Quando nos conhecemos em Londres e começamos a tocar, percebemos que todos nós viemos do mesmo lugar musical. O rock!

Que nomes ou movimentos mais vos influenciam?
Todos nós gostamos de coisas diferentes, mas basicamente os grandes clássicos de rock dos anos 60 e início dos anos 70. Também temos um gosto em comum por muitas novas bandas que surgiram nos últimos anos como Graveyard, Imperial State Electric, Rival Sons, Honeymoon Disease, Siena Root e por aí fora.

Fala-me a respeito de Blackbird, o vosso EP. Estão completamente satisfeitos com o que conseguiram criar?
Sim, estamos muito felizes com o resultado final e temos a sorte de ter recebido respostas muito positivas.

Como descreverias Blackbird para quem não vos conhece?
Bem, é apenas uma coleção de todos os sons que nos inspiram. Obviamente, ouvirás um pouco de rock dos anos 70, algumas coisas um pouco mais groovy, um minúsculo prog aqui e ali e uma forte influência do R’n’B dos anos 60. Ouve alto e consegues tudo isso.

Como se processa a composição nos The Riven?
Normalmente, alguém surge na sala de ensaios com uma ideia inicial, seja um riff, uma melodia ou um groove, mas nada terminado. Depois agarramos em tudo durante horas até conseguir uma música que faça sentido para todos.

As reações têm sido muito boas, não têm? Isso dá-vos força para continuar a trabalhar, suponho. Já pensam num longa-duração?
Sim! Estamos agradecidos pelas boas reações que tivemos até agora! Tivemos bons elogios de pessoas em todo o mundo e muitas críticas positivas! Agora estamos a trabalhar no nosso primeiro longa-duração. Estivemos um mês fora, todos juntos, numa pequena casa perdida no sul da Suécia a escrever músicas para ele. Vamos entrar em estúdio no inverno e espero que seja lançado durante a primavera.

E em termos de concertos, como estão as coisas?
Muito bem também! A banda ainda não tem um ano de idade e já conseguimos visitar o Reino Unido e a Finlândia e abrir para algumas bandas muito fixes como Fates Warning, Elephant Tree ou The Dahmers. Temos tido bons tempos.

Projetos para o futuro. O que têm em mente para realizar em breve?
Acabamos de nos mudar para Gotemburgo, portanto, por enquanto, vamos trabalhar para nos estabelecer por aqui. Atualmente estamos a marcar alguns espetáculos na Suécia. Entre isso e a escrita de música para o novo álbum, não temos muito tempo!

Obrigado. Querem acrescentar mais alguma coisa?
Obrigado! Não muito, apenas certifiquem-se que nos seguem no Facebook, se quiserem manter-se atualizados, e Instagram, se quiserem ver algumas fotos estúpidas. Além disso, podem adquirir o nosso EP Blackbird no iTunes e no nosso Bandcamp ou ouvi-lo no Spotify.

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Playlist 14 de setembro de 2017


Flash-Review: In Ignorance We Trust (Dear Lord)

Álbum: In Ignorance We Trust
Artista: Dear Lord   
Edição: Century Media   
Ano: 2017
Origem: Suécia
Género: Hard Rock
Classificação: 5.6/6
Análise:
Intemporal, não retro, dizem os Dear Lord a respeito deste seu novo álbum. Uma coisa ou outra será indiferente. O que interessa é que as origens do hard rock dos anos 70 são aqui visitadas por um coletivo competente que assina um disco genuíno de sonoridade orgânica e analógica onde os ganchos melódicos e os arranjos harmónicos marcam forte presença. Um regresso aos tempos em que não havia maquinaria, mas onde as canções falavam mais alto.
Highlights: Reruns, Leave Me Be, Kill The All, Part Of Me, They!, Darker Times
Para fãs de: Thin Lizzy, Lynyrd Skynyrd, Led Zeppelin, Black Star Riders, Slade

Tracklist:
1. Ignorance
2. Too Late
3. Reruns
4. Leave Me Be
5. The Glitch
6. Kill Them All
7. Never Die
8. Part Of Me
9. They!
10. Darker Times
11. The Indifferent
12. Stone Dead Forever

Line-up:
Hakim Krim – guitarras, vocais
Olle Hedenström – guitarras, sintetizadores
Martin Nordin – baixo, slide guitar
Adam Lindmark -bateria

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Entrevista: For All We Know

Há vários álbuns guitarrista dos mediáticos Within Temptation, Ruud Jolie aproveita todo o tempo livre que tem para se dedicar a outras atividades e projetos. For All We Know é uma dessas fugas que já estava em silêncio desde 2011. O tão aguardado sucessor da sua estreia homónima surge agora com uma abordagem, pelo menos em termos de elementos, ligeiramente diferente, sendo dada mais primazia ao conjunto em detrimento dos convidados.

Olá, Ruud, como estás? Obrigado pela tua disponibilidade. Passaram seis anos desde a tua estreia. Os Within Temptation consomem muito do teu tempo que terias para dedicar ao teu projeto?
Olá e obrigado por me convidares. Nos momentos de tempo livre dediquei os últimos 4 anos a trabalhar neste novo álbum. Mas como a FAWK não paga as minhas contas nem sempre me concentro nisto a 100% devido a outros trabalhos como Within Temptation, Maiden UniteD ou o ensino na Metal Factory em Eindhoven, na Holanda.

Ainda assim, seis anos é muito tempo. O que mudou nos FAWK?
Acho que os principais ingredientes são os mesmos: música melódica e aberta, basicamente com instrumentos puros. Não é muito direto, mas também não é muito complicado. A música ainda é o mais importante. Mas desta vez, acho que as músicas pesadas são mais pesadas e as músicas suaves são mais suaves, pelo que é mais extremo nos dois sentidos. Também acho que este álbum tem uma vibe mais positiva. Continua a ser pesado, mas não é um pesado "irritado".

Em termos musicais, o que podem os fãs esperar de Take Me Home?
Um álbum com música honesta e sem compromissos. Como fui eu que financiei não tive prazos, pude fazer o que quisesse. Assim, estou 100% satisfeito com o resultado final deste álbum. Pessoas que gostem de melodias e harmonias e ritmos interessantes vão adorar este álbum.

Os músicos que o acompanham são basicamente os mesmos, certo? Não houve mudanças significativas a este respeito, pois não?
Não, na verdade não. Bem, desta vez colaborei muito mais com o Wudstik. Penso que 90% das melodias vocais no primeiro álbum eram minhas. Para estas novas canções tinha ideias vocais, mas não as apresentei imediatamente ao Wudstik. Queria saber o que ele poderia imaginar. E 90% das vezes gostei mais das suas ideias. Se um vocalista canta as suas próprias ideias, eles tendem a parecer mais naturais e é isso que eu gosto.

Este álbum foi criado ao longo de cinco anos. Podemos esperar assuntos muito diferentes de acordo com o momento em que foram criados?
Têm-me perguntado se este é ou não um álbum conceptual. Poderia contar-te algumas histórias interessantes sobre ser um álbum conceptual, mas com toda a honestidade não é. No entanto, há tópicos que atravessam as letras.

Mas será, acima de tudo, um disco mais pessoal e introspetivo?
Sim, definitivamente. Quando escrevi a maior parte das letras, estava a passar por uma depressão. A escrita funcionou bastante como terapêutica. Os artistas tendem a emocionar-se mais facilmente e penso que isso é visível na maioria das letras. Take Me Home refere-se a encontrar meu eu 'normal' depois de estar deprimido durante algum tempo.

Anneke van Giersbergen, com quem tens trabalhado frequentemente, participa aqui como convidada. É a única ou tens mais alguém?
É a única. O álbum de estreia teve muitos artistas convidados como Sharon Den Adel (Within Temptation), Daniel Gildenlöw (Pain Of Salvation), John Wesley (Porcupine Tree) e Richie Faulkner (Judas Priest). Desta vez quis que este álbum fosse mais como o resultado do esforço de uma banda. Mas durante as gravações dessa música Wudstik parou no meio da frase e disse ao microfone: “sabes quem seria ótimo cantar esta música comigo?" Bem, podes adivinhar a quem ele se referia (risos).

O álbum teve a ajuda de uma campanha bem-sucedida de crowdfunding. A resposta excedeu as tuas expetativas?
Bem, nunca sabes o que esperar. Os tempos mudaram muito nos últimos 6 anos no que diz respeito às vendas de álbuns. Mas poderia oferecer suficientes itens porreiros que as pessoas podiam comprar, por isso resultou. Alcancei 143% do meu objetivo financeiro

Já que falamos de expetativas, onde achas que este novo álbum te pode levar?
Às vezes leio críticas que dizem que após o lançamento do primeiro álbum "o grande sucesso nunca aconteceu e que eu estava tão dececionado que não era suficientemente corajoso para fazer um segundo”. Mas quero dizer que tudo o que aconteceu foi incrível. O meu principal objetivo era ter um álbum com as minhas próprias músicas e meu objetivo secundário era, pelo menos, superar financeiramente. Ambos os objetivos foram alcançados com o primeiro álbum. Quem ouviu e quem está por dentro deste estilo de música gostou. Isso foi fantástico para mim. Espero alcançar os mesmos objetivos desta vez.

E uma tour será possível para breve?
Farei 3 espetáculos na Holanda em março de 2018. Não sei se haverá ou não mais espetáculos ou festivais. Estou preparado para isso, mas tudo depende do calendário dos Within Temptation.

Quanto aos Within Temptation, já sem álbuns de originais desde 2014, há novidades?
Agora estamos a trabalhar em música nova. Mas, infelizmente, ainda não conheço a programação.

Obrigado Ruud. Queres acrescentar mais alguma coisa?
Muito obrigado pelo convite. Espero que as pessoas ouçam o meu novo álbum. É um álbum para o qual é preciso sentar-se e digeri-lo lentamente. Cada vez que o ouves, descobrirás novas coisas.