sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Entrevista: Rust On The Rails


A prepararem-se para vir à Europa (Portugal não incluído), Cody Beebe e Blake Noble, mentes criativas por trás dos Rust On The Rails acederam a apresentar este projeto de American Aussie Roots. Um projeto onde as raízes americanas e australianas se cruzam num disco, Talisman, de intenso sabor rural.

Olá Cody, olá Blake! Obrigado pela disponibilidade! Falem-nos um pouco de como este projeto, Rust On The Rails, começou?
CODY BEEBE (CB): Rust On The Rails já se tinha reunido há alguns anos, mas só recentemente começamos a fazer andar o projeto. A minha banda, Cody Beebe & The Crooks, tinha feito uma longa tournée e começamos um pequeno festival na nossa cidade natal para celebrar a roots rock music. Conhecemos Blake Noble, convidamo-lo para tocar no festival e fiquei imediatamente surpreendido com o seu talento e pela maneira como as multidões reagiram às suas raízes australianas. É incrível vê-lo tocar o didgeridoo enquanto toca bateria na sua guitarra acústica. Tornamo-nos amigos e começamos a tocar juntos. Embora no início tenha sido casual, percebemos que realmente tínhamos gostos e estilos semelhantes e que os nossos sons funcionariam bem juntos. Acabei por coproduzir o seu primeiro álbum e alguns vídeos musicais, além de cantar em algumas músicas. Gostamos da forma como funcionou e formamos os Rust On The Rails como um projeto paralelo para guardar o momento. Fizemos alguns espetáculos, aqui e ali, mas ainda estávamos focados nas nossas outras bandas. Depois de algumas mudanças de circunstância, começamos realmente a focar-nos nos ROTR como nosso projeto prioritário… e cá estamos!

Quais foram os vossos principais objetivos quando decidiram avançar para este projeto?
CB: Somos inspirados pela vida. As partes reais da vida... os altos e baixos, relacionamentos, viagens, tempos felizes, tempos difíceis, etc. Pegamos nas nossas próprias experiências ou nas  experiências que temos visto que outras pessoas passam para tentar encontrar as lições nessas histórias. Na realidade, queremos que as pessoas sejam capazes de ouvir as músicas e tirar delas o que precisam. Escrevemos canções que podem ser interpretadas de algumas maneiras, porque queremos que as pessoas percebam à sua própria maneira. O nosso principal objetivo é ter um impacto positivo sobre as pessoas, de uma forma ou de outra, e ajudá-las a encontrar uma visão sobre si mesmos ou sobre o mundo ao seu redor.

Esta foi a maneira que encontraram para unir as raízes do rock americano e australiano?
BLAKE NOBLE (BN): American Aussie Roots nunca existiu até agora! É uma combinação de American Rock e Australian Roots. Cody traz o som Rock com uma ligeira vibração country devido à sua origem. Para mim, Cody canta como Chris Cornell dos Soundgarden, mas conta histórias como os velhos cantores country. Por isso pensamos – já que ambos gostamos desse estilo, e se adicionássemos o meu passado e a minha experiência do outro lado do mundo? Ninguém fez isso antes. Claro que existem grupos que são influenciados por bandas de cada um dos nossos países, mas quantas bandas de rock têm um didgeridoo? Aqui, nos EUA, tens a influência dos velhos tocadores de blues. E enquanto nós tivemos, obviamente, os músicos têm vidas e influências diferentes. Acredito firmemente que o meio envolvente ajuda a desenvolver e criar o seu som. A cena grunge de Seattle poderia dizer-se que foi desenvolvida por pessoas que estavam presas na neve e no frio (como eu estou agora), por isso desenvolveram técnicas e sons incríveis com base no seu ambiente. A minha educação nas praias da Austrália não poderia ser mais diferente do que a de Cody. É por isso que eu acho que é interessante.

Para além de vocês dois, quem mais está na banda?
CB: Eric Miller toca baixo e Chris Lucier toca bateria. Eles formam uma incrível seção rítmica. Eric tocou baixo nos Cody Beebe & The Crooks e não é apenas um baixista incrível, ele é, também, um fantástico guitarrista. Nós os dois começamos uma empresa de vídeo juntos sendo que o Eric é o cérebro por trás dos nossos vídeos musicais. Temos muita sorte em ter os seus talentos como parte de nossa equipa. Chris costumava tocar bateria na banda de Blake, pelo que, quando nos separamos de Scott Mercado, Chris foi a escolha natural. Ele é uma parte muito forte da banda e um baterista incrível. Para o álbum, também fizemos parceria com Andrew Joslyn que fez todos os arranjos de cordas. Durante muito tempo tem estado estabelecido na cena de Seattle e andou largamente em tournée com Macklemore nos últimos anos. Quando voltou de sua última tournée mundial, juntou-se para ajudar a gravar nosso disco e temos a sorte dele se juntar a nós, de vez em quando, ao vivo.

Podem descrever um pouco de todo o processo que vos conduziu até Talisman?
CB: Algumas das músicas foram escritas por Blake ou por mim há anos. Blake mostrou-me Lost And Found e Can You Feel It?, quando veio para os Estados Unidos. Escreveu-os na Austrália e tocou-os lá, e quando os ouvi, imediatamente disse-lhe que os adorava. No momento em que começamos a pensar em iniciar uma banda juntos, referi que adoraria trabalhar um pouco com eles e que gostava de as juntar ao disco. Eu também já vinha a trabalhar em algumas canções há já algum tempo. A linha de guitarra em Play The Fool é algo que já toco há mais de uma década, mas nunca descobri o que fazer com ela. Depois, começamos seriamente a falar sobre o álbum em outubro de 2015 e trouxe as músicas para a banda no início de 2016. Trouxemo-lo para Austin Jenckes e para o nosso produtor, Seth Paul, em fevereiro e começamos o processo de gravação. Portanto, suponho que algumas destas músicas estejam connosco há anos... E finalmente acabamos por as gravar. Chamamos a nossa música de American Aussie Roots, por isso estávamos à procura de um título que ligasse os dois sons e conectasse as nossas nacionalidades. A Operação Talisman Sabre é um exercício de treino militar que acontece todos os anos com forças americanas e australianas. Além disso, "talismã" significa tradicionalmente símbolos inscritos num anel que trazem boa sorte para a pessoa que os faz ou usa. Assim, os dois significados juntos eram perfeitos. O nosso novo álbum é a nossa missão conjunta para trazer boa sorte àqueles que o experimentam.

É engraçado terem um tema chamado Abbott & Costello. São fãs desta dupla cómica?
CB: (Risos)! Uma noite, estava eu a tocar guitarra aleatoriamente na minha cozinha e estava a inventar palavras para uma nova melodia. Simplesmente, Abbott e Costello saíram da minha boca... Porque funcionava com o ritmo da música. Mais tarde mostrei a música ao Blake... e nós dois nem sequer sabíamos quem foram! Acabamos por olhar para eles naquela noite e, em seguida, escrevi a letra da música com eles em mente. Bastante louco como tudo surgiu, mas acabou por ser uma das nossas canções favoritas neste disco.

De que forma este trabalho se diferencia dos vossos lançamentos anteriores com as bandas originais?
CB: Talisman é um pouco diferente do nosso primeiro EP. Tivemos algumas mudanças de membros e, quando começamos, inclinamo-nos muito mais para o lado do rock acústico. Como já referi anteriormente, Rust On The Rails começou como um projeto paralelo, portanto, o primeiro EP foi apenas para ver como funcionaria. Este disco é muito mais pensado e demoramos algum tempo a desenvolve-lo. Em comparação com Blake e com as minhas bandas anteriores, definitivamente tem algumas semelhanças, mas também é diferente. Cody Beebe & The Crooks inclina-se mais para o lado country/americana do que ROTR. Blake é a parte instrumental da escrita em ROTR e adiciona uma grande unicidade ao nosso som. A sua guitarra percussiva e o didgeridoo dão uma sensação diferente do que tinha em CBC. Há definitivamente semelhanças naturais entre as duas bandas, mas estamos a tentar distanciar-nos o máximo possível. Na outra banda de Blake, ele só tinha música instrumental e era muito mais world music do que a ROTR. No geral, estamos muito felizes com o equilíbrio que conseguimos.

Em breve virão até à Europa. Portugal estará incluído? Como serão os espetáculos? Estão a preparar algo especial?
CB: Infelizmente, desta vez não iremos a Portugal. Mas queremos ir no futuro. Esta é a primeira tour com ROTR, por isso estamos apenas a lançar as bases para crescer mais tarde. Nesta tour iremos tocar quatro shows em Espanha, bem como na França, Bélgica, Holanda e Alemanha. Prometemos que estaremos de volta mais vezes no futuro e, definitivamente,  definiremos Portugal como um objetivo nosso.

Muito obrigado! Querem acrescentar mais alguma coisa?
CB: Estamos muito empolgados por ir à Europa e ver como o nosso som é recebido. Já todos fomos algumas vezes à Europa com projetos diferentes, mas sentimos que Rust On The Rails vai ressoar, e mal podemos esperar para ouvir o que as pessoas pensam. Muito obrigado pelo teu tempo!!!!

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