sexta-feira, 31 de março de 2017

Entrevista: cult.urb_viseu.fest

Durante abril, Viseu será a capital nacional da cultura urbana com a realização da segunda edição do festival cult.urb_viseu.fest. Este festival consiste num conjunto de eventos que, ao longo de todo o mês e através de uma mescla dos conceitos de cultura e de cidade, pretendem contribuir para uma oferta cultural pertinente e com consistência. O festival é organizado pela Acrítica Cooperativa Cultural e decorrerá no seu espaço Carmo’81. Carlos Salvador fez-nos a antevisão do que será a edição deste ano que começa amanhã e se prolongará até ao dia 30 de abril.

Olá, tudo bem? Para começar, em que consiste este evento e que objetivos se propõem atingir com o mesmo?
O cult.urb_viseu.fest é um conjunto de eventos que vão ter lugar ao longo de todo o mês de abril. Chamámos-lhe festival de cultura urbana porque é estruturado numa série de linguagens artísticas eminentemente urbanas, a saber: música cinema, arquitetura, literatura, fotografia e pintura, edição de autor, etc. Pretendemos alargar o alcance do nosso trabalho regular de programação ao longo do ano, queremos ajudar a criar rotinas no público que já tem hábitos culturais, mas também criar novos públicos.

E quem está por trás desta organização?
Este festival de cultura urbana é organizado pela Acrítica Cooperativa Cultural, que tem sede no Carmo’81, espaço onde vai acontecer o cult.urb_viseu.fest e que recebe todos os nossos eventos ao longo do ano.

Sendo esta já a 2ª edição, que novidades apresentam em relação à edição de estreia?
Este ano quisemos apostar fortemente numa programação musical que desse estrutura aos restantes eventos. No ano anterior tivemos projetos musicais de muita qualidade como Capitão Fausto, Volcano Skin, DJ White Haus, Dj João Semedo e Chaputa Records, mas este ano quisemos trazer nomes que pudessem dar uma escala nacional ao festival. Para além disso mantivemos alguns workshops para crianças e jovens e trouxemos para o festival o conceito de masterclass.

Em função da resposta do público na primeira edição, quais os objetivos que pretendem atingir este ano?
Os nossos objetivos em relação à adesão do público são adequados à escala do Carmo’81. Os nossos concertos são para 100 pessoas e as sessões de cinema e masterclasses são para 50 pessoas. No ano anterior o público esgotou todos os eventos e é isso que esperamos também este ano.

Um dos aspetos mais relevantes neste festival é a sua vertente multidimensional. De que forma se repercute isso este ano?
Tal como já referimos, este festival vive da diversidade de linguagens artísticas como a música, o cinema, a arquitetura, a literatura, a fotografia e pintura de retrato, a edição de autor e outras. Com isso pretendemos chegar a públicos diferentes, mas também atribuir um caráter global ao conceito de cultura urbana e de cidade.

Em termos de cartaz, como é feita a gestão a esse nível? Apostam mais em nomes locais/regionais ou não? Ou em nomes com maior ou menor projeção nacional?
À semelhança da edição do ano passado e também no que diz respeito à nossa programação ao longo do ano, apostamos sempre em nomes e projetos locais. Não vemos isso como uma obrigação mas como uma estratégia que, no entanto, está sempre sujeita ao critério da qualidade e da linha estética que pretendemos seguir. Os nomes de maior projeção nacional enriquecem o festival com qualidade e permitem chegar a outros meios e comunicação, dando uma amplitude muito maior ao nosso trabalho.

Falando mais detalhadamente do cartaz, o que nos apresentam este ano?
Na programação musical vamos ter PAUS, Mirror People, White Haus, Memória de Peixe, Riding Pânico, DJ Quesadilla, DJ Rui Maia e DJ João Vieira. Apostamos ainda em dois projetos locais que são os Galo Cant’às Duas e Lugatte Baterista. Apresentamos também uma belíssima série de masterclasses com Rui Zink, João Salaviza, Pedro Gadanho e Maria João Fonseca. Ainda duas residências artísticas, uma com a Margarida Fleming e outra envolvendo os residentes e lojistas da (nossa) Rua do Carmo, no centro histórico da cidade, com John Gallo e L Filipe dos Santos. Faremos ainda uma Feira do Livro Usado e apresentaremos dois fanzines com os autores e editores presentes. Mantemos a parceria com o Shortcutz Viseu e a realização da Mostra Internacional de Fanzines e Edições de Autor.

As edições de autor voltam, portanto, a ter um especial destaque este ano. Com o que poderão contar os visitantes?
A aposta na edição de autor é um caminho que já é percorrido pelo Carmo’81 na sua rotina de programação diária. O Carmo’81 é um espaço onde estão disponíveis para venda ou consulta uma série bastante interessantes de edições de autor, quer no formato fanzine, quer noutros. Somos um ponto de venda de publicações regulares de caráter alternativo e ainda do jornal do Cine Clube de Viseu e das nossas próprias edições. No cult.urb_viseu.fest deste ano apresentamos mais uma edição da Flanzine com o João Pedro Azul e ainda o 2º número do nosso fanzine Karma com a Inês Flor. Para além disso teremos a II Mostra Internacional de Fanzines e Edições de Autor, com cerca de 300 edições vindas de todos os continentes.

Falta ainda falar do espaço físico onde decorrerá este evento. Seguramente, face à tal multidisciplinaridade, estará um pouco espalhado pela cidade de Viseu. Mas haverá algum ponto mais central?
O festival acontece no Carmo’81, a sede da nossa cooperativa, que é um espaço indoor, com 5 salas com várias valências e ainda um pátio ao ar livre, onde, por curiosidade, ‘vive’ o nosso lince ibérico, que nos foi deixado pelo Bordalo II no contexto do cult.urb_viseu.fest do ano passado.

Em termos de apoios, têm sentido que as entidades (públicas ou privadas) da região têm acarinhado este projeto?
O Carmo’81 é um projeto que programa com regularidade ao longo de todo o ano. Em 2016 tivemos 117 eventos. Temos trabalho com capitais e risco próprios. Queremos começar agora, depois de mostrarmos do que somos capazes, a difícil caminhada dos apoios e parcerias. No caso específico do projeto cult.urb_viseu.fest, e só neste mês de Abril, seremos apoiados em 55% pelo Município de Viseu.

Obrigado! Queres acrescentar mais alguma coisa?
Estamos presentes online em todas as plataformas, nomeadamente no nosso website (carmo81.pt), no Instagram, Twitter e Facebook. Basta procurar por Carmo’81.

quinta-feira, 30 de março de 2017

Playlist Via Nocturna 30 de março de 2017


Review: Mastery (Lancer)

Mastery (Lancer)
(2017, Nuclear Blast Records)
(5.9/6)

Se o segundo álbum de uma banda é importante, o terceiro permite a sua estabilização na cena. E se Second Storm, anterior trabalho dos Lancer, tinha sido um enorme passo em frente relativamente à sua estreia, se calhar seria demasiado pedir outro passo de igual envergadura. Bom, desde logo a excelência de Second Storm levou-os até à gigante Nuclear Blast e é esta editora que lança Mastery. E, realmente, o terceiro disco, sendo fundamental, é, no caso dos Lancer, a confirmação de um dos maiores nomes do cenário metálico tradicional atual. Claro que o tal passo não foi tão vincado como anteriormente, mas nota-se perfeitamente que os suecos cresceram, ganharam maturidade e personalidade. As referências a Iron Maiden são cada vez menos óbvias, e surgem bem camufladas por outras como Gamma Ray, Avantasia ou mesmo Blind Guardian. A riqueza rítmica e a complexidade estrutural continuam bem presentes provocando no ouvinte aquela sucessiva sensação de nunca saber o que virá acontecer a seguir. As melodias são muito agradáveis, a capacidade técnica está toda lá e a dupla de guitarras mostra-se a grande nível, sempre bem secundada por uma secção rítmica poderosa e versátil! Apenas o vocalista poderia não exagerar tanto dos agudos! Em complemento, uma produção poderosa e clara que potencia a perceção de todo um conjunto de pormenores que acabam por fazer a diferença. Temas como Dead Rising Towers, Future Millenia, Victims Of The Nile (curiosa a aproximação a Orphaned Land na parte final), Follow Azarel, Iscariot ou World Unknow mostram como a banda evoluiu no seu processo de composição e mostram também como é importante criar diversidade e ser-se bom em diferentes registos – desde a balada ao power metal supersónico. Os Lancer sempre desempenharam bem esse papel e voltam a faze-lo com mestria. Por isso Mastery é um disco que roça a perfeição – um bombástico disco de metal!

Tracklist:
1.      Dead Rising Towers
2.      Future Millennia
3.      Mastery
4.      Victims Of The Nile
5.      Iscariot
6.      Follow Azrael
7.      Freedom Eaters
8.      World Unknown
9.      Widowmaker
10.  Envy Of The Gods
11.  The Wolf And The Kraken

Line-up:
Sebastian Pedernera – bateria
Fredrik Kelemen – guitarras
Peter Ellström – guitarras
Isak Stenvall – vocais
Emil Oberg - baixo

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Edição: Nuclear Blast Records       

quarta-feira, 29 de março de 2017

Entrevista: Lonthra

Depois de experiências acumuladas em diversos outros projetos, os Lonthra surgem em 2016 para produzir rock enxuto, corpulento mas sem esquecer as linhas melódicas. O primeiro trabalho homónimo foi lançado no início deste ano em formato digital e foi este o tema de conversa com o guitarrista Roxo.

Viva, tudo bem? Para começar, falem-nos dos Lonthra – quando e como tudo começou?
Viemos todos de projetos e situações musicais que precisavam de estímulo e direção. Projetos que estavam a terminar, já faziam pouco sentido ou estavam num momento de baixa energia. Como não somos dados a ressacas, queríamos continuar a compor música e a tocar por isso unimos esforços e deitamos mãos à obra. Tivemos um primeiro momento em que tentamos reunir os atuais elementos em torno de um dos projetos antigos, mas depressa percebemos que estávamos a tentar forçar uma coisa que não fazia sentido para o coletivo atual. Não há nada mais libertador que uma folha em branco, por isso abandonamos todo o repertório e começamos simplesmente a tocar. Daí até às primeiras malhas foi um instante.

Antes de se juntarem como Lonthra que outras experiências relevantes tinham tido e de que forma se repercutiram neste novo projeto?
Achamos que todas as experiências musicais (e não só), mesmo as mais distantes, influenciam tudo o que fazemos, por isso a lista é extensa. Mas os projetos mais recentes como No Tribe, Empire ou Become Not estão certamente mais presentes. Gostamos de acreditar que não nos prendemos a ideias passadas, embora admitamos a sua influência. Gostamos de compor sem grande limitações nem imposições, por isso limitamo-nos a tocar o que nos sai pelos dedos.

Porque o nome Lonthra, ainda por cima com a adição do “h”?
Procuramos um nome para o projeto desde a decisão de fazer algo de raiz. Tivemos muitas ideias, mas acabamos por relaxar no momento da escolha. Acreditamos que os nomes das bandas funcionam como etiquetas identitárias e como tal são conceitos evolutivos e subjetivos. É a narrativa da música e das letras que a banda escreve, bem como da forma como se apresenta em palco que anima e explicita o conceito por trás de um nome. Deixamos as interpretações para quem nos ouve.

Durante quanto tempo trabalharam neste disco?
Cerca de 1 ano, talvez um pouco mais.

Trata-se de uma edição independente, certo? Era o que pretendiam ou foi uma contingência?
Não procuramos outra solução. Foi uma verdadeira edição independente e não estamos arrependidos. Fizemos todo o trabalho de gravação e divulgação com as nossas próprias ferramentas e esforço. Foi muito gratificante e estamos muito contentes com o resultado final.

Para já é apenas uma edição digital, suponho? Estão a ponderar fazer uma edição física?
Para já não está nos nossos planos.

Que objetivos pretendem atingir não só com este trabalho, como também no futuro?
Acreditamos que a recompensa está no caminho percorrido e por isso neste momento queremos continuar a divulgar este álbum pelo maior número possível de pessoas. Queremos muito tocar ao vivo e sentir a reação à nossa música. Gostávamos de conseguir um apoio profissional na divulgação e promoção para nos podermos concentrar na música.

Como se processa a composição nos Lonthra?
A composição é um processo fluido, democrático e participado. Tipicamente um de nós traz uma ideia de casa que exploramos e enriquecemos na sala de ensaios. Estamos já a compor material novo e como estamos num estádio diferente no conhecimento mútuo e na maturidade do projeto estamos a explorar ideias um pouco diferentes, mas ainda estamos muito no início para antever como será o resultado final.  

Vocês definem-se apenas como uma banda de rock, sem subgéneros. Mas haverá algum desses subgéneros ou movimentos que mais vos influenciam?
Se fizeres essa pergunta a cada um de nós vais ter respostas tão diferentes como grunge, pos-rock, psicadélico, metal etc. E alguns de nós vão torcer o nariz às escolhas musicais do vizinho. Não nos ficamos no espectro do rock ouvimos e somos influenciados por muitas outras coisas, mas é o rock que nos une e é a linguagem que partilhamos, daí ser por aí que nos aventuramos neste último trabalho.

Como estamos em termos de agenda no que diz respeito a apresentações ao vivo?
Estamos a marcar concertos para o Norte do país mas ainda não temos datas fechadas. Queremos voltar a tocar em Lisboa em breve. 
(Fotos: Pedro Nunes)

terça-feira, 28 de março de 2017

Review: Happy People (Freedom Fuel)

Happy People (Freedom Fuel)
(2017, Inverse Records)
(5.6/6)

Depois de alguns anos de experiências enriquecedoras no underground do rock finlandês, Teemu Holttinen, Henri Fagerholm e Sami Ojala encontraram nos Freedom Fuel uma forma de explorarem as suas ideias ricas de influências, diversificadas de estilos e ecléticas nas estruturas. Por isso Happy People é um disco difícil de descrever, embora seja agradável de ouvir pela capacidade de surpreender a cada passo. De uma verdade não restam dúvidas: isto é rock. A partir daí tudo pode surgir. Desde a estética complexa de uns Muse ao rock mais negro de uns The Cult em Leave It Behind; na curiosa mistura entre o groove do rock contemporâneo e uma linha melódica vocal tipicamente Pink Floyd em Dirt In The Ground; na costela punk melódico de uns Green Day em Let Them Go ou Happy People; no hard rock que fez escola a partir dos DAD em Good Intentions (claramente um dos temas melhores conseguidos); na sinistra, estranha, muito longa, quase doom, adocicada por outra melodia à Muse em I Can’t Come; no reggae de First Hand ou na balada Ghost Before Me. Genericamente, Happy People apresenta uma secção rítmica muito sólida, com um desempenho extraordinariamente autónomo o que faz que, por diversas vezes, surjam momentos de bass & drum, linhas de guitarra com um trabalho deveras criativo e nada previsível e linhas vocais com bastante melodia. Happy People é o trabalho de estreia e os Freedom Fuel andam nisto desde 2015.

Tracklist:
1.      Leave It Behind
2.      Dirt In The Ground
3.      Let Them Go
4.      Good Intentions
5.      I Can’t Come
6.      First Hand
7.      Happy People
8.      Ghost Before Me
9.      Gimme A Pill
10.  MOTPFE

Line-up:
Teemu Holttinen - Vocals & Guitars
Henri Fagerholm – Bass
Sami Ojala – Drums

Internet:
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Edição: Inverse Records       

segunda-feira, 27 de março de 2017

Entrevista: Click

E de repente, bem à moda antiga, de uma vila antiga, no interior do país, surge um click para um grupo cheio de imaginação que assina um disco dos diabos! Pedro Maia e Rafael Pereira foram os dois clickers que falaram com Via Nocturna a respeito deste incrível projeto!

Olá, tudo bem? Quem são os Click? Quando se deu o click para erguerem este projeto?
Olá. Tudo bem, esperamos que com vocês também. Os Click são um grupo de jovens de Figueira de Castelo Rodrigo, distrito da Guarda, e que cresceram com uma mensagem dentro deles, sentindo hoje a vontade de a transmitir. O "click" deu-se pela altura do nosso décimo ano de escolaridade, ou seja, no ano de 2010, quando o Rafael e o Marco se juntaram, achando que seriam capazes de criar algo que desse frutos.

O nome Click pode ter diversos significados. No vosso caso significa o quê?
Começou por ser Click4Play, quando éramos quatro membros, e era daí que se extraía o sentido do nome, mas ao longo da nossa vida enquanto banda achamos por bem remover o 4Play, algo que na brincadeira nós chamámos o “eliminar dos preliminares”, devido à semelhança com a palavra inglesa que dá nome às mesmas. No nosso caso, é o "click" que esperamos fazer na cabeça dos nossos ouvintes que originou a vontade de manter o dito Click.

Mas este é um nome algo complicado, quando se trata de procurar na net. Pensaram nisso?
Não, nunca.

Podem falar um pouco da vossa história até agora?
Conhecemo-nos quase desde sempre, mas quando nos aproximámos a sério é que tivemos o desejo de fazer música juntos. Crescemos juntos a tocar covers na discoteca Auritex em Figueira, onde passávamos a maior parte dos nossos dias e noites, achando que o mundo era nosso; tempos mais simples, no fundo. Depois de algumas peripécias e mudanças de membros, que ainda recordamos com carinho, chegámos à formação atual. Desde aí, corremos o paíss de lés a lés, sempre a fazer concertos e a conhecer novas pessoas. Sentimos que esta era a altura perfeita para gravar um álbum, e cá está ele.

Qual é background musical dos elementos da banda?
Todos nós tínhamos alguns conhecimentos musicais, mas poucos, e fomos aprendendo em escolas de música da vila ou na internet. Só quando fomos para a faculdade é que começámos verdadeiramente a crescer: o Pedro começou a estudar num curso de Jazz e tornou-se um fenomenal músico, sendo quase todas as composições dele, e as que não são, foram arranjadas por ele; o Rafael entrou para uma tuna, a TAFDUP, onde também aprendeu muito, especialmente a cantar; o Rui aprendeu com o Pedro e cresce cada vez mais a olhos vistos; o Marco todo ele é trabalho e dedicação, admirável aliás, mas, sobretudo, o amor ao grupo fá-lo querer ser sempre melhor.

Disponível já desde o final do ano passado está o vosso álbum de estreia. Já têm feedback da forma como está a ser feita a receção e reação?
O nosso álbum é uma espécie de "esquizofrenia musical", contando com os mais variados estilos de música, porque a nossa própria intenção seria agradar ao maior número de pessoas possível e também mostrar o que nós cremos ser uma certa versatilidade e flexibilidade musical. Com essa intenção, parece que tudo resultou, e temos tido um forte apoio, e a vossa review foi a nossa melhor crítica até agora, e desde já agradecemos. E de resto, sim, temos tido um feedback muito positivo.

Como o descreveriam nas vossas próprias palavras?
É um desejo muito antigo realizado, um sonho. No fundo de tudo, é uma mensagem, e é isso o importante sobre este álbum.

Sei que gravaram em Viseu, certo? Como decorreram as sessões? Sentiram algum tipo de dificuldade?
Exactamente, no Estúdio Produsom. A maior dificuldade foi acertar as disponibilidades de todos os membros, porque, de resto, o trabalho de Paulo Lima, dono do estúdio, fez tudo voar e as sessões eram animadíssimas.

Porquê a escolha do título À Moda Antiga?
Porque todo o CD já não é desta época. Quiçá, nem nós próprios nos sintamos desta época, e quisemos ir buscar vários tipos de música que brilhavam no passado para trazer um pouco do antigamente para os dias de hoje.

Marionetas (Ao Vento) é o primeiro single/vídeo retirado deste álbum. Que critérios estiveram na base da escolha deste tema para vossa apresentação?
Cada vez que o Rafa escreve e o Pedro compõe, dizemos sempre que é a melhor música que compusemos até ao momento, e ficamos sempre muito entusiasmados, e "Marionetas" calhou ser a última, e também a mais adaptável a um vídeo, por ter uma mensagem que espelha bastante a realidade sociopolítica atual, e portanto é uma mensagem com que as pessoas se relacionam facilmente.

Em dez temas, dois são em inglês. Como se sentem melhor e esta dualidade linguística será para continuar?
O Rafa, não aprecia escrever em inglês, mas às vezes sai-lhe e nesses momentos sente que deve fazê-lo. Not A Really Good Time e Discotime saíram e amadureceram, e achámos por bem não as deixar de fora. Para o futuro, é provável que o inglês desapareça.

O line up apresentado no CD é ligeiramente diferente do que aparece no vosso facebook. Que alterações ocorreram?
Como dissemos anteriormente, o alinhamento do grupo mudou bastante, com reduções, trocas e adições. Já tivemos o Hugo Fonseca no baixo, e depois juntaram-se a Maryna e o Rui, formação que gravou o álbum. Hoje, a Maryna também já não faz parte do grupo. Não aconteceu nada de especial nem de dramático, foi simplesmente a vida a seguir em frente.

Também se pode verificar no vosso disco que apoios não têm faltado, mesmo em termos de entidades autárquicas como o município e juntas de freguesia. Para uma banda do interior é importante este tipo de apoios?
Muito, é de enorme importância. Sem eles, este passo continuava a ser apenas um projecto.

Por falar em interior, sentem que estão um pouco longe dos grandes centros de decisão ou nem por isso?
Não de todo. Estudamos todos fora, o Rafael e o Rui no Porto, o Pedro em Lisboa, e o Marco na Guarda, e já temos contactos com diversas pessoas, culturas e actividades, e isso dá-nos uma crescente vivência para escrever sobre temas. De resto e do passado, viver em Figueira nunca nos afastou de nada, sentimo-nos até privilegiados de podermos ter crescido em tão bom local, pacato e tranquilo e com a quantidade de movimento e informação certa.

Quais são os vossos planos para o futuro enquanto banda?
Escrever, compor, olhar para aquilo que há e falar sobre isso de um modo apelativo e animado. E crescer, sobretudo. Expandirmos tanto os nossos projetos como as nossas mentes. Melhorar é uma necessidade fáctica, mas nada nos vai impedir de continuar a dar música a quem nos quiser ouvir.

Obrigado! Querem acrescentar mais alguma coisa?
Um grande obrigado pela vossa atenção é o melhor acrescento a fazer-se. Para quem nos lê, aconselho que nos oiçam; não pedimos porque não se pode pedir a ninguém para ouvir algo que não queira, mas é um conselho em tom de pedido. Penso que, nas nossas palavras, será só isto. Muito obrigado.

domingo, 26 de março de 2017

Flash-Review: Inception (Sanctuary)

Álbum: Inception
Artista:  Sanctuary   
Edição: Century Media   
Ano: 2017
Origem: EUA
Género: Heavy Metal, Prog Metal
Classificação: 5.8/6
Breve descrição: A história dos Sanctuary é sobejamente conhecida, portanto que vem a ser este Inception? Uma olhadela rápida ao tracklist confirma-nos que este disco contém grande parte do seminal Refuge Denied (1988). Tudo começou quando Lenny Rutledge descobriu as demos de 1986, portanto, anteriores ao lançamento desse mítico álbum. Numa altura em que os trabalhos para o novo disco da banda de Seattle continuam, é bom recordar como tudo começou… indo ainda mais atrás do que o principio conhecido.
Highlights: Die For My Sins, Death Rider/Third War, Ascension To Destiny, Battle Angels, Veil Of Disguise

Tracklist:
1. Dream Of The Incubus
2. Die For My Sins
3. Soldiers Of Steel
4. Death Rider/Third War
5. White Rabbit (Jefferson Airplane cover)
6. Ascension To Destiny
7. Battle Angels
8. I Am Insane
9. Veil Of Disguise

Line-up:
Lenny Rutledge - guitarras
Warrel Dane - vocais
Dave Budbill - bateria
George Hernandez - baixo
Nick Cordle – guitarras (live)